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Política

Quaest detecta movimento de voto útil à direita para Flávio Bolsonaro

Pesquisa Quaest mostra movimento de voto útil de direita a favor de Flávio Bolsonaro. Lula com 46% e Flávio com 45% dos votos válidos em empate técnico.

Movimento de voto útil impulsiona candidatura de Flávio Bolsonaro

A pesquisa Quaest divulgada no sábado (3) de outubro identificou um significativo movimento de voto útil a favor de Flávio Bolsonaro, conforme análise apresentada por Felipe Nunes, diretor da consultoria e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O levantamento, realizado dias antes do primeiro turno das eleições, revelou dinâmicas estratégicas no comportamento eleitoral dos votantes de candidaturas alternativas.

Segundo Nunes, em entrevista à Central das Eleições da GloboNews, o fenômeno observado representa eleitores de outras candidaturas realinhando seus votos em direção ao nome do PL. "É verdade que Lula até oscila um ponto, mas o movimento que a gente captura é um movimento de voto útil de direita", afirmou o diretor da Quaest sobre a concentração de apoio na candidatura de Flávio Bolsonaro.

Empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro

No levantamento realizado, Lula (PT) registrou 46% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 45%, configurando situação de empate técnico dentro da margem de erro. Quando considerados os votos totais, Lula apresentou leve crescimento, passando de 39% para 40% na comparação com a pesquisa divulgada na segunda-feira (28 de outubro), ao passo que Flávio Bolsonaro apresentou evolução mais expressiva, subindo de 34% para 38%.

A pesquisa foi encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo, entrevistando 3.702 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 2 e 3 de outubro. O levantamento possui margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral ocorreu sob o número BR-02197/2026.

Candidaturas alternativas como reservatório de votos

Na avaliação de Felipe Nunes, as candidaturas que disputam apoio à direita funcionaram durante o primeiro turno como um mecanismo de retenção de votos potencialmente móveis. "É como se elas tivessem funcionado durante esse primeiro turno como uma caixa d'água de votos, um reservatório de votos à espera desses movimentos", explicou o diretor da Quaest.

Os dados coletados nas pesquisas de segundo turno ilustram essa dinâmica. Entre os eleitores de Renan Santos (Missão), 60% afirmaram que votariam em Flávio Bolsonaro em um confronto direto com Lula. Entre os apoiadores de Ronaldo Caiado (PSD), esse percentual atingiu 43%, enquanto entre os votantes de Augusto Cury (Avante), 34% indicaram preferência pelo candidato do PL em um segundo turno.

Possibilidade de intensificação no dia da eleição

O diretor da Quaest avaliou que o movimento de voto útil a favor de Flávio Bolsonaro poderia se intensificar durante o dia da votação, alterando potencialmente os resultados do primeiro turno. "Então o eleitor está se decidindo e eu não me surpreenderia se a gente visse esse movimento se intensificando amanhã, porque o movimento de voto útil da direita agora ele é, eu diria, muito decisivo", declarou Nunes.

Segundo sua análise, existe possibilidade real de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno numericamente à frente de Lula caso o contingente de eleitores das candidaturas alternativas intensifique sua migração. "Eu acho que há elementos para dizer, inclusive, que amanhã nas urnas a gente pode ver um movimento de Flávio, inclusive à frente de Lula, se esse contingente de eleitores de alternativas decidir dessa forma", completou.

Cenário de segundo turno permanece provável

Apesar da possibilidade levantada, Nunes ponderou que o volume de eleitores das demais candidaturas que já afirmam ter decidido o voto sustenta a expectativa de que a disputa seja resolvida em dois turnos. "O volume de eleitores dessas alternativas que neste momento diz que já decidiu o seu voto é grande o suficiente, eu diria, para que a gente trabalhe ainda com o cenário de dois turnos", afirmou.

Os dados demonstram elevados níveis de decisão eleitoral entre os seguidores das principais candidaturas. Entre os apoiadores de Ronaldo Caiado (PSD), 75% afirmaram que sua escolha para o primeiro turno é definitiva. Entre votantes de Augusto Cury (Avante), esse percentual alcançou 68%, enquanto 66% dos eleitores de Renan Santos (Missão) também indicaram decisão consolidada. Nos campos de Lula e Flávio Bolsonaro, esses índices foram ainda mais elevados, com 92% e 89% respectivamente.

Intenções de voto no primeiro turno

A pesquisa Quaest apresentou as seguintes intenções de voto considerando os votos totais:

Lula (PT): 40% (aumento de 39%)
Flávio Bolsonaro (PL): 38% (aumento de 34%)
Ronaldo Caiado (PSD): 3% (redução de 4%)
Augusto Cury (Avante): 3% (redução de 4%)
Renan Santos (Missão): 3% (mantido em 3%)
Indecisos: 3% (redução de 5%)
Branco/nulo/não vai votar: 10% (mantido em 10%)

O cenário apresentado pela pesquisa Quaest evidencia dinâmicas complexas no eleitorado, com o movimento de voto útil emergindo como fator determinante na reorganização das preferências eleitorais, particularmente entre os votantes de candidaturas menores que reconhecem a competitividade entre os dois principais nomes em disputa.

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