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Dino exige reforma na CVM em 90 dias após falhas

Ministro do STF determina que União reavalie regras da CVM. Fragilidades em controle interno e arquivamento de denúncias motivaram decisão.

Dino exige reforma na CVM em 90 dias após falhas
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Ministro Flávio Dino exige reforma na CVM em prazo de 90 dias

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu um prazo de 90 dias para que a União proceda à reavaliação completa das regras operacionais da reforma da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A determinação ocorreu após a análise de processos que evidenciaram graves deficiências nos mecanismos de supervisão e controle interno da autarquia responsável pela fiscalização do mercado de capitais brasileiro.

O Ministério da Fazenda ficou encarregado de coordenar os trabalhos de articulação entre os diversos órgãos públicos envolvidos para implementar as mudanças necessárias na estrutura da CVM. Esta decisão marca um ponto crítico nas discussões sobre a eficácia institucional da autarquia vinculada ao governo federal.

Fragilidades detectadas na CVM

Os documentos apresentados durante o processo judicial revelaram, conforme destacou o ministro Dino, "fragilidades relevantes nos mecanismos de controle interno" da reforma da CVM. Entre os problemas identificados está o arquivamento de denúncias sem a realização apropriada de verificações preliminares, prática que comprometeu a capacidade de detecção de irregularidades no mercado financeiro.

Um caso particularmente grave refere-se ao arquivamento de uma denúncia datada de 2022, que já antecipava as irregularidades que posteriormente foram descobertas no Banco Master. Essa falha demonstra como lacunas procedimentais na CVM permitiram que sinais de alerta fossem ignorados, resultando em consequências significativas para investidores e para a integridade do mercado.

Contexto da ação no STF

A decisão proferida pelo ministro Dino emergiu de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pelo Partido Novo, que questionava a efetividade das ações da CVM na fiscalização do mercado de valores mobiliários e a adequação de seus poderes de polícia administrativa em relação às instituições financeiras operantes no país.

Em sua fundamentação, Dino observou que "as dificuldades atualmente enfrentadas pela Comissão de Valores Mobiliários não se restringem às limitações orçamentárias apontadas nos autos". O magistrado evidenciou que existem questões estruturais profundas relacionadas ao desenho regulatório, aos mecanismos de governança e aos modelos de supervisão adotados pela autarquia que demandam revisão urgente.

O caso do Banco Master e suas implicações

O Banco Master e demais empresas do conglomerado foram liquidados pelo Banco Central em 2025 devido aos riscos representados ao sistema financeiro nacional. A instituição era amplamente conhecida por atrair investidores mediante a oferta de rendimentos substancialmente superiores aos patamares médios praticados no mercado, uma prática que serviu como mecanismo de atração de capitais.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, principal figura associada ao conglomerado Master, encontra-se sob investigação por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A CVM já havia condenado Vorcaro a uma multa de R$ 20 milhões por fraude relacionada a suas atividades no mercado de capitais.

Iniciativas de melhoria na CVM

Reconhecendo os problemas estruturais, a CVM criou, em fevereiro, um grupo de trabalho dedicado à análise abrangente de todas as informações relacionadas ao conglomerado Master e à gestora de fundos Reag, esta última suspeita de envolvimento nas fraudes investigadas pela Polícia Federal. Este grupo foi estabelecido com o objetivo de propor "melhorias estruturais em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional".

Responsabilidades institucionais conforme Dino

Apesar de identificar as deficiências operacionais da CVM, o ministro Flávio Dino estabeleceu que não compete ao Poder Judiciário a criação de regras e normas técnicas específicas para o funcionamento e a fiscalização do mercado financeiro brasileiro. Segundo sua fundamentação, a definição de tais parâmetros permanece responsabilidade dos entes que exercem funções de regulamentação do sistema.

O ministro defende um modelo colaborativo entre a Fazenda, CVM, Banco Central, COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Ministério da Justiça, Receita Federal e Polícia Federal para a construção de um arcabouço regulatório mais robusto e eficiente que cubra as lacunas identificadas.

Preocupações com segurança financeira

O ministro Dino já havia expressado, em abril, preocupação substancial acerca de como brechas na fiscalização pudessem criar oportunidades para operações de lavagem de dinheiro dentro do mercado financeiro brasileiro. Essa inquietação reforça a urgência das medidas agora determinadas pela reforma da CVM, que visa fortalecer os mecanismos de detecção e prevenção de atividades ilícitas no setor de valores mobiliários.

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