Independente 24/7.
Economia

Trump retoma ataques contra Powell após relatório do Fed

Trump critica Powell e pede sua saída do conselho do Fed. Relatório afasta crime mas aponta falhas na reforma de US$ 2,4 bilhões.

Trump retoma ataques contra Powell após relatório do Fed
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Trump volta a atacar Powell mesmo após conclusões da auditoria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou seus ataques contra Jerome Powell, ex-presidente do Federal Reserve, exigindo nesta quarta-feira (30) que o ex-dirigente abandone o conselho do banco central americano. A declaração ocorre em momento estratégico, logo após a divulgação de um relatório oficial que, embora absolva Powell de condutas criminais, identifica falhas significativas na administração da maior reforma realizada pela instituição em décadas.

Através de publicação na rede social Truth Social, Trump manifestou sua posição de forma incisiva: "Powell deveria ser obrigado a renunciar ao conselho. Ele não consegue administrar um prédio e certamente não deveria ter permissão para administrar sua política de juros altos". O presidente americano ainda acrescentou uma ameaça velada: "Se ele não renunciar, deveria ser processado nas instâncias mais altas."

Auditoria afasta responsabilidade criminal mas identifica problemas de gestão

A investigação realizada pela inspeção-geral do Federal Reserve, órgão de fiscalização interna da instituição, concluiu categoricamente que não existem fundamentos para encaminhar o caso à Justiça criminal. Em comunicado oficial, os investigadores declararam: "Em nenhum momento durante nossa avaliação encontramos fundamentos razoáveis para acreditar que tivesse ocorrido uma violação da legislação criminal federal que exigisse o encaminhamento do caso ao procurador-geral dos EUA".

Apesar dessa conclusão favorável a Powell, o relatório não poupou críticas à forma como o projeto foi conduzido. Os investigadores identificaram deficiências substanciais na supervisão interna das obras, recomendando medidas corretivas e apontando que uma supervisão mais rigorosa poderia ter limitado significativamente o aumento dos custos do empreendimento.

A explosão de custos que alimenta o conflito

O projeto de reforma dos dois edifícios históricos do Federal Reserve em Washington tornou-se central na disputa entre Trump e Powell. Atualmente orçado em aproximadamente US$ 2,4 bilhões (R$ 12,4 bilhões), a obra custará cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,17 bilhões) acima do originalmente previsto. Esse estouro orçamentário representa uma das principais justificativas utilizadas por Trump para suas críticas contínuas contra o ex-presidente do banco central.

Durante a campanha presidencial e após sua retomada do poder, Trump responsabilizou Powell pelas deficiências administrativas que resultaram nesse aumento expressivo. O presidente e seus aliados apontaram melhorias consideradas luxuosas, como mármore, elementos decorativos de água e um terraço com jardim, como responsáveis pelo excesso de gastos.

Explicações para o aumento dos custos

O relatório da inspeção-geral, contudo, ofereceu uma análise distinta sobre as causas do estouro orçamentário. Conforme os investigadores, esses itens classificados como luxuosos "não contribuíram de forma relevante" para o aumento dos custos. Em sua defesa anterior, Powell havia argumentado que os gastos adicionais resultaram de dificuldades não previstas, incluindo a retirada de amianto, elevação dos custos de materiais e mão de obra, além de trabalhos que avançaram profundamente no subsolo.

Um dos exemplos mais eloquentes do aumento desproporcional refere-se aos sistemas hidráulico e de climatização. O Federal Reserve acabou desembolsando US$ 346 milhões (R$ 1,79 bilhão) por esses serviços, valor equivalente ao triplo do orçamento inicial estimado. A inspeção identificou que a forma como o Fed conduziu os contratos contribuiu para essa escalada, particularmente porque não conseguiu estabelecer efetivamente um limite de preço máximo garantido.

Trajetória do conflito entre Trump e Powell

A relação entre Trump e Powell deteriorou-se progressivamente desde sua designação. Trump indicou Powell para presidir o Federal Reserve no final de 2017, mas iniciou críticas públicas no ano subsequente quando o banco central não reduziu os juros no ritmo desejado pelo governo. Durante anos, Trump exerceu pressão constante sobre a instituição para que adotasse políticas de taxas menores.

A questão dos custos da reforma transformou-se em um novo capítulo dessa disputa contínua durante o segundo mandato de Trump. Em julho de 2025, o presidente visitou pessoalmente o local das obras para intensificar seus ataques. Powell, na ocasião, contestou diante das câmeras os números de estouro citados pelo presidente, defendendo-se das acusações.

Escalada judicial e intimidação política

A tensão entre as duas partes atingiu novos patamares em janeiro de 2026, quando a Procuradoria dos Estados Unidos no Distrito de Colúmbia intimou o conselho do Federal Reserve a entregar documentação sobre os gastos da reforma e depoimentos de Powell ao Congresso. Em resposta extraordinária, Powell divulgou um pronunciamento em vídeo revelando que o Departamento de Justiça havia ameaçado indiciá-lo criminalmente.

Powell caracterizou essa ação como tentativa de intimidação contra uma instituição que define políticas de juros com base em análises econômicas independentes, não segundo preferências presidenciais. Em março, um juiz federal anulou as intimações, concordando com o argumento de que elas serviam como mecanismo para pressionar Powell a reduzir os juros ou abandonar sua posição.

Powell permanece no conselho apesar das pressões

Powell deixou formalmente a presidência do Federal Reserve em maio, mas continuou como integrante do conselho da instituição. Seu mandato nesse cargo ainda não se findou. Durante sua última coletiva de imprensa como presidente, em abril, Powell justificou sua permanência afirmando: "Eu disse que não deixaria o conselho até que esta investigação estivesse verdadeiramente concluída, com transparência e de maneira definitiva, e mantenho essa posição."

Essa declaração indicava sua determinação em permanecer no cargo enquanto o processo investigativo não fosse completado de forma conclusiva. Agora, com o relatório da inspeção-geral divulgado, Powell pode avaliar sua posição futura na instituição.

Próximas medidas e reforma futura

Kevin Warsh, atual presidente do Federal Reserve, afirmou que implementará as recomendações contidas no relatório para aprimorar a gestão do projeto. Além disso, Warsh contratará uma auditoria independente para verificar a exatidão e conformidade dos custos já aprovados até o momento, buscando restabelecer confiança na administração do empreendimento.

Essas medidas representam esforços para corrigir as deficiências identificadas pela investigação interna e recuperar a reputação institucional do Federal Reserve frente aos questionamentos levantados sobre a administração financeira da maior reforma realizada pela entidade em seu histórico recente.

Relacionadas

Criptomoedas

BNB $768 ▲ 0.98%
Solana (SOL) $118 ▼ 1.21%
XRP $1.4900 ▼ 0.64%
Cardano (ADA) $0.2476 ▲ 0.87%