Peru: Sánchez lidera protesto enquanto Fujimori segue na frente
Roberto Sánchez organiza marcha em Lima pedindo transparência eleitoral no Peru. Com 99% das urnas apuradas, Keiko Fujimori lidera a contagem.

Manifestação de Roberto Sánchez nas ruas de Lima
O cenário político das eleições no Peru intensificou-se quando Roberto Sánchez, candidato de esquerda no segundo turno presidencial, encabeçou uma grande mobilização nas ruas de Lima na noite de sexta-feira (19). A marcha reuniu centenas de apoiadores que acompanharam o político em seu discurso inflamado exigindo conformidade com os procedimentos democráticos e maior rigor na contagem dos sufrágios.
Durante a manifestação, Sánchez denunciou o que considera violações nos protocolos eleitorais, afirmando que sua agremiação política foi impedida de exercer direitos fundamentais de expressão. O candidato destacou que autoridades buscavam caracterizar a manifestação como ilegal através de expedientes formais, cerceando a liberdade democrática dos cidadãos que desejavam se manifestar publicamente exigindo conformidade procedimental.
Denúncias de irregularidades e ações judiciais
A legenda de Sánchez, Juntos por el Peru, acionou a justiça eleitoral com pedidos para invalidar votos procedentes de Lima e de cidadãos no exterior. A agremiação alega que certos padrões nas escolhas dos eleitores teriam favorecido Fujimori, além de apontar modificações nas normas que afetaram a contagem de sufrágio vindo do exterior. Essas ações judiciais representam uma tentativa de reverter através de mecanismos legais o que consideram ser um processo viciado.
O partido de esquerda argumenta que as alterações regulamentares implementadas beneficiaram desproporcionalmente sua concorrente, prejudicando a equidade eleitoral. Segundo as denúncias formuladas, houve mudanças nas regras de votação que prejudicaram sistematicamente os votantes peruanos residindo fora do país, criando distorções que alterariam o resultado final da disputa presidencial.
Contagem de votos com Keiko Fujimori à frente
Até o momento em que a apuração atingiu 99,64% das urnas, Keiko Fujimori mantinha vantagem sobre seu adversário. A candidata da direita acumulava 50,113% dos votos contra 49,887% do deputado de esquerda. A diferença em números absolutos era de aproximadamente 41.474 votos a seu favor, segundo dados divulgados às 15h30 do sábado (20).
A Justiça Eleitoral ainda havia de analisar aproximadamente 87 mil votos contestados conforme comunicou o Escritório Nacional de Eleições (ONPE). Esses sufrágios pendentes poderiam potencialmente alterar o resultado final das eleições no Peru, mantendo incerteza sobre quem seria efetivamente eleito presidente.
Vantagem de Fujimori no voto exterior
A superioridade de Keiko Fujimori na contagem resulta em grande medida do desempenho entre eleitores peruanos residindo internacionalmente. No exterior, a candidata de direita obteve 63,206% dos votos, uma superioridade considerável. Dentro do território nacional, contudo, Sánchez permanecia ligeiramente à frente com 50,110% em todas as 16 regiões do país.
Esse desequilíbrio geográfico constituiu fonte central de contestação por parte da campanha de Sánchez, que argumenta que a população residente no Peru e votando localmente respaldaria sua candidatura, enquanto o voto exterior estaria distorcionando o resultado real da vontade popular doméstica.
Contexto histórico e perspectivas futuras
Keiko Fujimori, que pela quarta ocasião disputa a presidência peruana, poderia se tornar a primeira mulher eleita diretamente para o mais alto cargo executivo do país. Porém, suas três anteriores tentativas terminaram em derrota. Mais recentemente, em 2021, foi superada no segundo turno pelo candidato Pedro Castillo por margem apertada de apenas 44.200 votos.
A atual disputa, portanto, representa para Fujimori uma oportunidade de reverter histórico de fracassos eleitorais. Para Sánchez, significa a possibilidade de liderar a nação com mandato obtido principalmente através do respaldo doméstico, questão que sua campanha enfatiza repetidamente.
Posicionamento de apoiadores e reconhecimento internacional
Durante a marcha, simpatizantes de Sánchez manifestaram seu apoio à sua candidatura. A professora Alicia Mamani, presente na manifestação, argumentou que Sánchez possuía apoio majoritário em todo o território nacional em todas as regiões, representando uma escolha genuína do povo peruano que deveria ser respeitada. Segundo sua perspectiva, o candidato de esquerda encarnaria a democracia contra o que seria um regime autoritário.
Entretanto, organizações internacionais de observação eleitoral forneceram avaliação diversa. Tanto a Organização dos Estados Americanos como a União Europeia, através de suas respectivas missões de monitoramento, informaram que o processo de votação transcorreu normalmente e solicitaram aos candidatos e ao país que aguardassem pacientemente a proclamação oficial dos resultados finais.
Indefinição e processo eleitoral em andamento
O impasse nas eleições no Peru perdurava desde 7 de junho, deixando a nação em situação de incerteza sobre o resultado presidencial. A revisão e recontagem sistemática dos votos contestados prosseguia lentamente conforme os tribunais eleitorais continuavam seu trabalho técnico de verificação.
De forma notável, o partido de Sánchez declarou publicamente que não acataria o resultado final das eleições presidenciais caso o resultado lhe fosse desfavorável, sinalizando potencial confrontação institucional após o término da contagem oficial. Essa posição elevou a tensão política no país e aumentou a importância do resultado que seria finalmente proclamado pelas autoridades eleitorais competentes.
