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Política

Indústria Brasil e EUA propõem negociação para evitar tarifas

CNI, Amcham Brasil e U.S. Chamber pedem nova rodada de negociação para evitar tarifas de 25% em produtos brasileiros. Prazo termina em 15 de julho.

Setor produtivo reivindica diálogo para contornar tarifas comerciais Brasil EUA

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e a U.S. Chamber of Commerce divulgaram nesta quinta-feira (9) uma manifestação conjunta solicitando uma nova etapa de negociação comercial Brasil EUA. O objetivo é evitar a aplicação de sobretaxas nos produtos brasileiros, cuja implementação está prevista para até 15 de julho pelo governo americano.

A administração norte-americana alega que o Brasil implementa medidas que "oneram ou restringem" as transações comerciais entre os dois países. Como resposta a essas práticas comerciais, os Estados Unidos propõem cobrar uma alíquota adicional de 25% incidente sobre as exportações brasileiras. Essa tarifa extra representaria um impacto significativo para empresas nacionais que dependem do mercado americano.

Ações diplomáticas e engajamento com Washington

As equipes ligadas ao Ministério das Relações Exteriores e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) vêm mantendo diálogos técnicos com representantes da administração Trump. O ministro Márcio Elias Rosa, titular da pasta de desenvolvimento, realizou uma reunião virtual com Jamieson Greer, representante do escritório comercial da Casa Branca.

Conforme declarações do ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que a delegação brasileira mantenha permanentemente as negociações comerciais Brasil EUA, sem abandonar a mesa de discussões em nenhuma circunstância. Essa posição reflete o compromisso do governo com uma solução diplomática para o impasse tarifário.

Paralelamente às tratativas diretas, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) organizou audiências públicas. Nessas sessões, empresas, associações comerciais, governos e demais interessados puderam apresentar suas posições sobre o tema. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato presidencial pelo PL, solicitou participação nesses encontros e utilizou o espaço para críticas direcionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao presidente Lula.

Rol e importância do USTR nas relações comerciais

O USTR é a instituição responsável pela formulação da estratégia comercial dos Estados Unidos em nível internacional. Além dessa função estratégica, o órgão conduz investigações acerca de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos e possui autoridade para recomendar a imposição de tarifas e outras medidas protecionistas.

Proposta de negociação em etapas para fortalecer laços econômicos

As organizações empresariais argumentam que as conversas já em andamento devem resultar em "resultados práticos e relevantes que reforcem a previsibilidade" entre as nações. Contudo, propõem uma "abordagem incremental, estruturada em duas etapas" para abordar as questões pendentes.

Conforme a nota conjunta, "ao avançar, em um primeiro momento, as questões comerciais mais imediatas e, em seguida, ampliar a agenda para abarcar oportunidades estratégicas de longo prazo, ambos os governos poderão fortalecer a confiança, aumentar a competitividade e estabelecer bases mais sólidas para uma cooperação econômica duradoura".

Prioridades imediatas na agenda comercial

Para o curto prazo, CNI, Amcham Brasil e U.S. Chamber of Commerce recomendam que os dois países concentrem esforços em quatro eixos principais. Primeiramente, propõem ampliar o acesso a mercados para produtos relacionados à segurança energética, desenvolvimento de data centers e infraestrutura de inteligência artificial.

Em segundo lugar, sugerem aprofundar a cooperação regulatória visando facilitar o acesso a mercados nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos. Como terceira ação, recomendam acelerar o exame de patentes e reduzir o estoque de pedidos de registro de propriedade intelectual no Brasil, especialmente nos setores de saúde e biofarmacêutico, além de fortalecer o combate à pirataria.

A quarta prioridade envolve avançar em cooperação sobre minerais críticos e mapeamento geológico conjunto. Essas iniciativas buscariam criar uma base sólida para relações comerciais mais equilibradas e mutuamente benéficas.

Agenda de longo prazo e benefícios para ambos os lados

Num segundo momento, as entidades sugerem incluir temas adicionais de interesse estratégico para os países, tais como economia digital, descarbonização industrial e transportes. Essas questões representam oportunidades para fortalecer a cooperação econômica Brasil EUA em áreas emergentes e de importância crescente.

A nota finaliza afirmando que "o avanço desses temas por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países". Essa posição ressalta que o diálogo e a construção conjunta de soluções beneficiam todas as partes envolvidas nas relações comerciais bilaterais.

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