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Haddad defende investigação da PF contra senador petista

Fernando Haddad afirma que Polícia Federal está cumprindo seu papel ao investigar senador Jaques Wagner na Operação Compliance Zero sobre fraudes do Banco Maste...

Haddad defende investigação da PF contra senador petista
Fonte: g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/06/19/pf-esta-no-papel-dela-de-investigar-diz-haddad-sobre-operacao-contra-senador-petista-jaques-wagner.ghtml

Haddad reafirma independência das instituições na apuração

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, declarou nesta sexta-feira (19) que a Polícia Federal cumpre adequadamente seu papel institucional ao aprofundar investigações relacionadas à Operação Compliance Zero, que envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA) e as articulações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com agentes políticos. Durante entrevista à BandNews TV, o ex-ministro da Fazenda do governo Lula ressaltou que a apuração deve avançar sem distinções de status ou filiação partidária.

Segundo Haddad, todas as investigações devem prosseguir "doa a quem doer" e garantiu que os investigados dispõem do direito constitucional de apresentar esclarecimentos às autoridades competentes. O posicionamento do petista alinha-se com o discurso oficial da gestão Lula sobre a necessidade de combate à corrupção independentemente de vínculos políticos.

Determinação presidencial para transparência nas apurações

Haddad informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu desde o início das investigações que as instituições responsáveis deveriam atuar com total autonomia. O ex-ministro destacou que Lula convocou Ministério Público, Superior Tribunal Federal, Polícia Federal, Banco Central e Ministério da Fazenda para orientá-los sobre a importância de elucidar o caso.

"Desde o começo, Lula chamou essas instituições e disse: 'Eu quero tudo a limpo, doer a quem doer. Não interessa. Quero transparência, porque estamos diante da maior fraude bancária do Brasil'", relatou Haddad em sua fala. A declaração reforça o compromisso da administração federal com o esclarecimento de possíveis irregularidades no setor financeiro.

Direito à defesa e presunção de inocência

O petista enfatizou que ser alvo de investigação não representa condenação automática e pode constituir oportunidade para os investigados comprovarem a regularidade de seus atos. Segundo sua interpretação, maior exposição pública beneficia aqueles que possuem segurança sobre a legalidade de suas condutas.

"Quando mais exposição a pessoa tiver, melhor para ela, se estiver segura dos seus atos e se colocar à disposição das autoridades. Isso é correto. No final do processo, quem errou deve ser punido; quem se explicou é absolvido", afirmou o pré-candidato petista.

Menções a outros investigados na Operação Compliance Zero

Haddad também fez referência a outros nomes vinculados à investigação, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL), defendendo que qualquer pessoa sob suspeita tenha garantido o acesso a explicar sua versão dos fatos perante as autoridades. A postura reflete princípios de equidade processual independentemente de posicionamento ideológico.

Detalhes da investigação contra Jaques Wagner

A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, apura suposto esquema bilionário envolvendo fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro vinculado ao Banco Master. A investigação examina a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima, ex-banqueiro identificado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, ex-proprietário da instituição financeira que se encontra preso.

Segundo a Polícia Federal, Wagner teria recebido vantagens indevidas em troca de atuação política favorável aos interesses do grupo financeiro. Entre os fatos apurados destacam-se a aquisição de imóvel de luxo em Salvador, ingressos para shows da cantora Taylor Swift, transferências financeiras e deslocamentos ao exterior. Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que operou dentro da legalidade.

Posicionamento do senador investigado

Em entrevista concedida também à BandNews, Jaques Wagner negou vínculo com Daniel Vorcaro e forneceu explicações sobre valores apreendidos pela Polícia Federal. Conforme sua narrativa, os 49 mil dólares descobertos em endereço a ele vinculado originam-se de diárias recebidas do Senado para viagens internacionais realizadas em sua qualidade de parlamentar.

O senador declarou ter recebido aproximadamente 70 mil dólares em diárias desde 2019 e informou que frequentemente adquire moedas estrangeiras diretamente por banco de sua titularidade para custear deslocamentos. Ressaltou não possuir elementos a esconder e mencionou que o presidente Lula prestou solidariedade mediante contato telefônico após execução da operação policial.

Escopo da investigação e medidas políticas alvo de apuração

A Polícia Federal investiga possível atuação de Wagner em benefício de projetos de interesse do grupo financeiro. Medidas específicas sob investigação incluem a denominada "Emenda Master" e proposição legislativa destinada a ampliar limite de crédito consignado, segmento no qual o grupo de Vorcaro e Lima mantém forte presença através do Credcesta.

O Credcesta constitui cartão de benefício consignado oferecido a servidores públicos, aposentados e pensionistas, com pagamento de parcelas descontado automaticamente da folha de remuneração. Registros financeiros do Master indicam que em 2024 a comercialização de operações de crédito consignado ao Credcesta gerou receita superior aos juros cobrados nessas mesmas transações.

Ações parlamentares investigadas

A documentação da investigação detalha três pontos essenciais de atuação política: elevação da margem consignável da remuneração disponível para trabalhadores sob regime da Consolidação das Leis do Trabalho, aposentados e pensionistas ligados ao Regime Geral de Previdência Social, além de autorização para empréstimos e financiamentos para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada; tentativa de aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 65/2023 com efeitos sobre limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos; atuação parlamentar direcionada à fiscalização e controle da potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília.

Histórico da Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero representa investigação da Polícia Federal que apura suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e seu presidente Daniel Vorcaro. A primeira fase foi acionada em novembro de 2025, após identificação de indícios de emissão de títulos de investimento sem garantias suficientes, com objetivo de atrair clientes mediante promessas de rentabilidade acima da média mercadológica. Naquela ocasião, Vorcaro foi preso e a Polícia Federal estimou prejuízo potencial de até 12 bilhões de reais.

Nas etapas subsequentes, a investigação expandiu-se e incorporou suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, intimidação de adversários, espionagem, uso inadequado de informações sigilosas e corrupção. A Polícia Federal também investiga aportes bilionários realizados pelo Banco de Brasília no Master e supostos repasses a agentes políticos. Nas fases mais contemporâneas, a operação alcançou familiares e colaboradores de Vorcaro, além de autoridades governamentais, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Todos os investigados negam cometimento de irregularidades.

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