Flávio defende maternidade como cuidado na velhice
Flávio Bolsonaro justifica ter duas filhas para cuidarem dele na velhice e destaca economia do cuidado feminino não remunerado

Justificativa polêmica sobre paternidade e cuidados
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manifestou-se durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (5) afirmando que a economia do cuidado feminino é fundamental para a sociedade brasileira. De acordo com suas declarações, a decisão de ter duas filhas está intrinsecamente ligada à compreensão de que as mulheres naturalmente assumem responsabilidades familiares.
"Muitas vezes, na grande parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim, porque as mulheres são assim: são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade", declarou o político durante o evento.
Contexto familiar do candidato
Flávio é genitor de duas meninas adolescentes, uma com 14 anos e outra com 12 anos, ambas fruto de seu relacionamento com Fernanda Bolsonaro, profissional da área odontológica. As filhas residem com a família no Rio de Janeiro e frequentam instituições educacionais particulares na região.
Ampliação do debate sobre economia do cuidado feminino
Durante suas considerações, o senador expandiu a discussão para questões econômicas mais amplas. Mencionou que aproximadamente 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro seria representado caso as mulheres recebessem remuneração adequada pelas atividades de cuidado com idosos, filhos e execução de tarefas domésticas complementares ao trabalho formal.
"Eu tô aprendendo muito com todas vocês, a economia do cuidado, onde 8,5% do nosso PIB seria estimado se as mulheres fossem remuneradas por cuidar dos idosos, por cuidar dos filhos, por fazer outras tarefas além do seu trabalho normal", complementou em sua fala.
Evento de anúncio de vice-presidência
As declarações ocorreram durante solenidade em que Flávio Bolsonaro anunciava formalmente o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como integrante de sua chapa presidencial na condição de vice-presidente para as eleições do presente ano. O evento reuniu lideranças políticas e apoiadores do candidato no auditório de um importante centro de convenções na capital federal.
Presença de mulheres políticas no evento
O encontro contou com a participação de figuras femininas da política nacional que haviam sido consideradas para integrar a chapa. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos, compareceram e realizaram intervenções públicas durante a solenidade.
Tereza Cristina expressou gratidão pelo convite para ocupar a posição de vice-presidência, porém informou que restrições de natureza partidária inviabilizavam sua aceitação. Já Daniella Marques discorreu sobre a relevância de políticas públicas direcionadas à proteção e promoção dos direitos femininos no território nacional.
Discussão sobre eleitorado feminino
Segundo avaliação de Daniella Marques, a presença de um homem na chapa vicepresidencial não necessariamente afasta o apoio do eleitorado feminino. "A mulher não vota só porque é mulher, ela vota em valores. Ela vai avaliar os valores do Alfredo Gaspar [...] Ele é de uma área que o Brasil acha hoje que é a principal, que é a Segurança, um promotor de Justiça", argumentou a liderança política do PP no Senado.
As estratégias da campanha de Flávio Bolsonaro nas semanas antecedentes buscavam incorporar uma candidata mulher na chapa, considerando que as mulheres representam 52,8% do total do eleitorado brasileiro. Entretanto, após comunicados de neutralidade emanados das respectivas legendas partidárias das possíveis candidatas, essa alternativa tornou-se inviável politicamente.
Referências a Michelle Bolsonaro
Em seu discurso, o candidato ressaltou que Michelle Bolsonaro (PL) apresenta perspectivas positivas para vencer a disputa pela representação senatorial do Distrito Federal. Contudo, a esposa de Jair Bolsonaro não compareceu à cerimônia de anúncio de Gaspar, assim como havia ausentado-se da convenção que formalizou a candidatura presidencial de Flávio.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) justificou publicamente a ausência de Michelle ao informar que esta permanecia envolvida nas responsabilidades de cuidado com Jair Bolsonaro, que segue submetido a regime de prisão domiciliar conforme determinação judicial anterior.
