Fachin enfrenta dilema em julgamento do STF no dia 23
Jurista analisa posição delicada de Fachin no STF. Julgamento de Moraes e Mendonça marcado para 23 de setembro com decisão sobre análise conjunta ou separada do...

A situação delicada de Fachin no julgamento do STF dia 23
O julgamento do STF dia 23 promete ser emblemático para a presidência de Edson Fachin. A indefinição sobre como o Supremo Tribunal Federal analisará os casos de Alexandre de Moraes e André Mendonça deixa questões cruciais em aberto, conforme avaliação do jurista Gustavo Sampaio. Se o presidente da Corte mantiver o processo na pauta, o plenário precisará retomar discussões que permaneceram inconclusas na sessão de terça-feira (15).
O que está em debate no STF
O julgamento estava previsto para analisar o relatório da Polícia Federal concernente à relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O documento foi divulgado publicamente por André Mendonça. Contudo, a sessão não chegou ao mérito: uma controvérsia dominante envolveu a decisão sobre processar os casos em conjunto ou separadamente.
Na ocasião, o placar indicava 4 votos a favor da separação e 3 contra. O ministro Flávio Dino solicitou vista do processo, suspendendo o julgamento. Essa pausa técnica deixou em aberto as definições que moldarão o próximo encontro.
A posição incômoda de Fachin
De acordo com Sampaio, a posição do ministro Fachin não é confortável de forma alguma. "O ministro Fachin fatalmente terá que tomar uma nova postura a respeito do dia 23", afirmou o jurista em entrevista à GloboNews. O especialista demonstra confiança de que a presidência do Supremo Tribunal Federal deverá se pronunciar sobre o assunto antes da data marcada, mas ressalva que tudo permanece em expectativa.
Questões pendentes além da pauta
O julgamento do STF dia 23 não se limitará apenas à questão procedural. Sampaio destaca que o plenário deverá discutir a validade do acervo probatório contra Moraes e determinar se autoriza ou não a abertura de investigação contra um de seus próprios integrantes.
"O apanhado geral de todas as provas e de como elas surgiram, na medida em que há uma representação para o Plenário discutir, o Plenário precisa ter autoridade para decidir se autoriza ou não investigação em desfavor de um dos seus membros", explicou Sampaio. Essa decisão representa um marco importante no funcionamento institucional da Corte.
O prazo de Dino e seus desdobramentos
O ministro Flávio Dino dispõe de até 90 dias para devolver sua vista do processo. Caso ultrapasse esse prazo, o caso retorna automaticamente à pauta. Sampaio sugere que Dino pode tentar abreviar esse período.
"Se isso vai extrapolar o processo eleitoral, não sabemos, mas talvez encurte o tempo de devolução da vista", comentou o jurista. Uma vez que a vista seja restituída, o plenário precisará enfrentar a questão do possível empate entre os ministros.
O problema da composição par do Supremo
Sampaio reforça uma preocupação estrutural: a composição par do STF. "Esse é o problema: nós estarmos com uma corte de composição par", disse, lembrando a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga na Corte.
Essa situação de paridade pode resultar em empates, como aquele observado na sessão anterior (4 votos a 4), criando impasses nas decisões mais sensíveis. O cenário ressalta a importância de preencher adequadamente as posições vacantes no STF para garantir funcionamento institucional fluído e decisões conclusivas nos casos de relevância máxima.
