Vídeo capta momento exato do terremoto na Venezuela
Vídeo de segurança registra o instante preciso do terremoto duplo que atingiu a Venezuela em 24 de junho, deixando mais de 2 mil mortos.

Registros visuais capturam o instante do terremoto na Venezuela
Um vídeo obtido de câmera de segurança documenta o exato momento em que o terremoto duplo devastou a Venezuela no dia 24 de junho. As imagens foram gravadas em La Guaira, a localidade que enfrentou os maiores danos decorrentes dos fortes tremores sísmicos que assolaram a região. O terremoto na Venezuela deixou um rastro de destruição sem precedentes, com consequências ainda sendo avaliadas semanas após o evento.
As cenas registradas mostram pessoas em primeiro plano durante o abalo sísmico. A maioria dos pedestres não consegue manter-se em pé enquanto o solo tremula intensamente. Ao fundo, do outro lado da rua, uma estrutura desaba por completo, liberando uma colossal nuvem de poeira que toma conta de toda a paisagem urbana. O vídeo oferece uma perspectiva chocante da força bruta do fenômeno natural que impactou o país.
Aumento significativo no número de vítimas
O saldo de mortos pelo desastre subiu para 2.295 conforme divulgado na quarta-feira (1º), de acordo com informações do governo venezuelano. Mais de 11 mil pessoas foram registradas como feridas pelos tremores. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, informou em seu pronunciamento mais recente que um total de 12.841 pessoas foi afetado pelos tremores duplos ocorridos em 24 de junho, representando um aumento considerável em relação ao balanço anterior de terça-feira, que contabilizava 1.943 falecidos e 10.571 feridos.
Especialistas apontam que esses números representam uma contagem subestimada dos reais danos causados. Continuamente, mais corpos são recuperados nos escombros e os necrotérios enfrentam grandes dificuldades para processar a grande quantidade de vítimas fatais. As agências humanitárias expressaram na terça-feira (30) preocupações sobre a capacidade do frágil sistema de saúde venezuelano, que já estava comprometido antes do terremoto, em lidar com tamanha crise quase uma semana após os dois fortes eventos sísmicos.
Declínio acentuado nas operações de resgate
De acordo com relatórios do governo, o número de resgates oficiais diminuiu dramaticamente nos últimos três dias. Enquanto nos dois primeiros dias após os terremotos foram salvadas 5.380 pessoas, apenas quatro indivíduos foram encontrados vivos na segunda-feira pelas autoridades competentes. A literatura científica indica que o período crítico para localizar sobreviventes em terremotos situa-se normalmente entre 48 e 72 horas, embora seja possível permanecer vivo por períodos mais prolongados, dependendo de variáveis como temperatura ambiente e disponibilidade de água ou alimento.
Na terça-feira, até o pôr do sol, apenas uma criança havia sido resgatada com vida. Essa criança ficou presa durante seis dias sob um edifício desabado, conforme relatou Rodríguez. É importante notar que esses números oficiais não contemplam os diversos resgates realizados informalmente por voluntários em todo o território. Muitos grupos de cidadãos, desiludidos com a lentidão da resposta governamental, se organizaram independentemente para tentar salvar seus familiares e amigos que permaneciam desaparecidos dias antes da chegada das equipes internacionais especializadas.
Crise humanitária em desenvolvimento
Paralelamente aos números de vítimas, uma grave crise humanitária desenvolve-se entre os sobreviventes. Agências vinculadas às Nações Unidas calcularam que o terremoto gerou 1,2 milhão de toneladas de entulho proveniente de edifícios destruídos e pertences pessoais espalhados pela região. Essas mesmas organizações internacionais manifestaram preocupação com os impactos na saúde de dezenas de milhares de desabrigados que dormem há vários dias ao relento ou em abrigos superlotados e com precárias condições sanitárias.
Sistema de saúde sob extrema pressão
O sistema de saúde da Venezuela, debilitado por décadas de investimento insuficiente e anos de instabilidade econômica, encontra-se atualmente "sob pressão extrema, operando além de sua capacidade para atender à demanda crescente de casos traumáticos", conforme declarou Christian Lindmeier, porta-voz da Organização Mundial da Saúde, durante coletiva de imprensa em Genebra.
Autoridades venezuelanas confirmam que mais de 15.800 pessoas foram deslocadas pelos terremotos, cifra que reflete a quantidade oficial de desabrigados, segundo informou Carlotta Wolf, porta-voz da agência da ONU para refugiados, na terça-feira. Os deslocados venezuelanos estão dormindo em automóveis, parques públicos e outras áreas inadequadas. Wolf advertiu que esse número continuará expandindo-se. Uma significativa parcela dos deslocados localizados no estado de La Guaira, a região mais afetada nas imediações da capital Caracas no litoral, enfrenta escassez generalizada de alimentos.
Riscos sanitários crescentes
Sem acesso a infraestrutura básica como sanitários, chuveiros ou itens de higiene, os deslocados tornam-se progressivamente mais suscetíveis a surtos de doenças preveníveis, exemplificou Lindmeier, ressaltando a questão do sarampo diante das baixas taxas de imunização populacional. As circunstâncias ambientais favorecem igualmente a proliferação de infecções transmitidas pela água, incluindo dengue, febre amarela e malária.
O governo confirmou que os tremores da semana anterior danificaram ou comprometeram 38 hospitais espalhados pelo país. A OMS já realizou avaliação em 21 dessas instalações, sendo que três não possuem mais capacidade operacional. Outras seis estruturas sofreram danos materiais significativos e as restantes encontram-se à beira do colapso devido ao influxo massivo de feridos. Numerosos especialistas médicos desaparecem nos escombros, incluindo profissionais responsáveis pelo cuidado materno em La Guaira, circunstância que intensifica os desafios enfrentados pelo sistema de saúde num país do qual 8 milhões de habitantes, entre eles muitos profissionais da medicina e enfermagem, fugiram ao longo dos últimos anos.
Dificuldades para identificar o verdadeiro impacto
Com o governo mantendo silêncio sobre informações de vítimas e sobreviventes, sem divulgar números oficiais de desaparecidos, a população comum enfrenta grande dificuldade em localizar seus familiares. Numerosas pessoas recorreram a grupos de aplicativos de mensagem e bases de dados digitais administradas por organizações não governamentais para comunicar o desaparecimento de entes queridos. Um desses registros não-oficiais contabilizava pelo menos 43.220 pessoas como desaparecidas.
A NASA calculou que aproximadamente 59.000 estruturas foram danificadas ou completamente destruídas, o que sugere que o número real de desaparecidos poderia aproximar-se de 1.943. A quantidade total de pessoas impactadas pelos terremotos atinge centenas de milhares. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informou na terça-feira que 680 mil crianças requerem assistência humanitária em toda a nação venezuelana.
