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Trump autoriza operações cibernéticas privadas contra crime organizado transnacional

Trump assina memorando permitindo empresas americanas realizarem operações cibernéticas contra organizações criminosas transnacionais, incluindo PCC e CV brasil...

Trump autoriza operações cibernéticas privadas contra crime organizado transnacional
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Trump abre caminho para operações cibernéticas contra crime organizado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou uma ordem executiva nesta quarta-feira (12) autorizando empresas privadas americanas a participarem de operações cibernéticas contra crime organizado transnacional. A iniciativa das operações cibernéticas contra crime organizado representa um marco importante na estratégia de segurança digital do país, permitindo que o setor privado atue sob supervisão governamental em ações direcionadas a grupos criminosos que operam além das fronteiras americanas.

O memorando presidencial estabelece um novo programa que capacita companhias selecionadas a realizar atividades que variam desde vigilância até ações de degradação ou destruição de infraestruturas digitais utilizadas por organizações criminosas transnacionais. Segundo a Casa Branca, esta medida visa ampliar significativamente os esforços de combate a fraudes eletrônicas, roubo de dados e ataques cibernéticos perpetrados contra cidadãos, empresas e instituições americanas.

Grupos brasileiros podem ser alvo da iniciativa

Entre as organizações potencialmente alcançadas por esta nova política estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), ambos classificados pelo governo americano como organizações criminosas transnacionais desde 2025 e designados como entidades terroristas estrangeiras a partir de junho de 2026. Embora o documento não cite nominalmente estes grupos, a legislação os contempla dentro da definição de organizações envolvidas em atividades cibernéticas ilícitas.

A designação formal destes grupos brasileiros como entidades terroristas levou o Itamaraty a emitir alertas especiais, reconhecendo a complexidade geopolítica desta decisão. Para que qualquer organização seja efetivamente alvo das operações autorizadas, ela deve atender aos critérios específicos relacionados a crimes cibernéticos, não apenas à categoria geral de crime organizado transnacional.

Estrutura de funcionamento e supervisão

O programa funcionará sob coordenação do Centro Nacional de Coordenação (NCC), com supervisão conjunta dos departamentos de Justiça e de Segurança Interna dos Estados Unidos. As empresas interessadas em participar deverão submeter-se a um rigoroso processo de avaliação, incluindo análise de experiência técnica, histórico em operações cibernéticas, segurança das instalações e avaliação detalhada dos funcionários envolvidos.

O governo dispõe de 60 dias para estabelecer as regras operacionais do programa, definindo procedimentos, limites e responsabilidades. Todas as empresas participantes assinarão contratos específicos com o governo americano e poderão ser obrigadas a manter garantias financeiras de no mínimo um milhão de dólares, valores passíveis de confisco em caso de descumprimento das cláusulas contratuais.

Dois tipos principais de operações autorizadas

O memorado prevê duas categorias distintas de atividades. As operações de vigilância cibernética autorizam o acesso a sistemas sem consentimento para coleta de informações, inteligência e dados que possam fundamentar futuras ações. Estas operações permitem que empresas privadas mapeiem infraestruturas digitais de grupos criminosos, identificando vulnerabilidades e padrões operacionais.

As operações de efeitos cibernéticos, por sua vez, autorizam ações mais agressivas envolvendo manipulação, interrupção, degradação ou destruição de sistemas, redes e infraestruturas digitais. Esta categoria de intervenção representa um escalamento significativo nas capacidades de resposta digital contra o crime organizado, permitindo não apenas identificar mas também desabilitar ativamente as operações criminosas.

Limites estabelecidos para as operações

Apesar das amplas autorizações, o memorando impõe restrições importantes. Empresas privadas não podem receber aprovação para operações com potencial de causar mortes, ferimentos graves ou que possam ser enquadradas como uso da força ou ataque armado conforme as regras do direito internacional. Esta salvaguarda busca manter as operações dentro de parâmetros legais internacionais.

Adicionalmente, qualquer operação deve ser imediatamente suspensa caso atinja, mesmo involuntariamente, cidadãos americanos, sistemas localizados nos Estados Unidos ou infraestruturas controladoras de tecnologias por entidades americanas. O governo deve ser notificado instantaneamente de qualquer contaminação não intencional, garantindo proteção aos interesses domésticos americanos.

Justificativa e objetivos da iniciativa

De acordo com Trump, a iniciativa busca aproveitar a capacidade técnica avançada do setor privado americano, historicamente subutilizada no combate a redes criminosas digitais. O memorado afirma que os recursos tecnológicos disponíveis no setor privado foram pouco mobilizados em esforços anteriores para identificar e desarticular infraestruturas criminosas no ambiente digital.

O texto oficial enfatiza que organizações criminosas transnacionais conduzem campanhas cibernéticas contínuas para perpetrar fraudes que prejudicam a prosperidade, segurança e liberdade americanas. Esta constatação fundamenta a política de utilizart todos os instrumentos disponíveis do poder nacional, incluindo as capacidades inovadoras do setor privado, no combate ao cibercrime organizado.

Implicações estratégicas para a segurança

A autorização para operações cibernéticas privadas representa uma transformação na abordagem americana ao combate ao crime organizado transnacional. Reconhecendo que agências governamentais tradicionais enfrentam limitações técnicas e de recursos, o novo framework capacita empresas especializadas a atuar como extensões dos esforços governamentais de segurança cibernética.

Esta aproximação entre governo e setor privado sinaliza uma mudança estratégica no reconhecimento de que ameaças cibernéticas exigem respostas ágeis e sofisticadas, muitas vezes disponíveis primariamente entre empresas de tecnologia especializadas. O programa estabelece um modelo de colaboração que potencialmente pode ser adaptado para outros contextos de segurança nacional futura.

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