Trump ameaça novo ataque ao Irã se Hezbollah não cessar
Trump ameaça atacar Irã novamente caso o Hezbollah não seja contido. Leia detalhes das negociações em Zurique e a resposta iraniana.

Trump emite novo ultimato contra Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou uma ameaça de novo ataque ao Irã neste domingo (21) caso Teerã não consiga impedir os ataques contínuos do Hezbollah contra Israel. A declaração foi divulgada através de sua rede social Truth Social e representa um endurecimento na posição americana durante as negociações de paz em andamento na Suíça.
"O Irã deve impedir imediatamente que seus proxies bem pagos no Líbano causem problemas", escreveu Trump. "Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!!!" A mensagem evidencia a tensão entre as ameaças militares e os esforços diplomáticos simultâneos entre Washington e Teerã.
Resposta do Hezbollah às pressões internacionais
No mesmo dia da ameaça de Trump, o líder do Hezbollah declarou que Israel não conseguirá permanecer no território libanês e que o grupo "responderá qualquer violação" perpetrada contra seus membros. A organização, que funciona como proxy militar do Irã, mantém-se como um dos principais obstáculos para a estabilidade regional.
O Hezbollah, embora operando a partir do Líbano, recebe financiamento significativo do Irã e continua realizando ataques frequentes contra Israel. Essa dinâmica transforma o movimento em alvo prioritário das operações militares israelenses no território libanês, criando um ciclo de retaliações que complica os esforços de negociação em nível estatal.
Negociações históricas em Zurique
Paradoxalmente, no mesmo dia em que Trump proferia suas ameaças, Estados Unidos e Irã iniciavam suas primeiras conversas após assinarem um memorando de entendimento para encerrar a guerra no Oriente Médio. As negociações ocorrem em Zurique, na Suíça, e congregam representantes de alto nível de ambos os governos.
A delegação americana é liderada pelo vice-presidente JD Vance, que compareceu acompanhado de Jared Kushner, genro de Trump e negociador-chefe com o Irã, além de Steve Witkoff, enviado especial de Trump para a região. Do lado iraniano, comparecem Abbas Araqchi, chanceler iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento e negociador-chefe, e Abdolnaser Hemmati, governador do Banco Central.
Mensagens de abertura às negociações
Durante a sessão de abertura das conversas, Vance transmitiu uma mensagem conciliadora, afirmando que os Estados Unidos enxergam um futuro de paz com o Irã e que ambos os países podem prosseguir "juntos". O vice-presidente ressaltou que chegou às negociações carregando um pedido específico de Trump: que os EUA "virem a página para transformar a relação com o Irã".
Por sua vez, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian manifestou esperança sobre o avanço nas negociações. "Espero que os envolvidos nas negociações consigam fazer o processo avançar com sucesso", declarou. O presidente também indicou que sua administração está comprometida com o processo diplomático, apesar das tensões militares simultaneamente em curso.
Cronograma para acordo final
O memorando assinado esta semana estabelece um prazo de 60 dias para a conclusão de um acordo definitivo. Esse acordo final concentra-se especificamente no programa nuclear iraniano e no levantamento das sanções econômicas impostas contra o país. As conversas preparatórias iniciaram-se no domingo, com negociações técnicas programadas para o dia seguinte, contando com a presença de representantes do Catar e Paquistão, países mediadores do processo.
Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz
O porta-voz da diplomacia iraniana alertou que o acordo estará "em risco" se suas disposições não forem adequadamente implementadas, fazendo referência específica à situação no Líbano, onde Israel e o Hezbollah travam combates intensos. Essa advertência sinaliza que o governo iraniano vincula o sucesso das negociações à resolução do conflito israelita-hezbollah.
Ainda mais significativo, no sábado anterior (20), o comando militar central do Irã anunciou formalmente o fechamento do Estreito de Ormuz em resposta aos ataques israelenses no sul do Líbano. O governo iraniano considera essas operações militares uma violação direto do acordo negociado com os Estados Unidos, escalando a retórica em resposta às ações militares na região.
Israel readequa sua postura militar
Simultaneamente, autoridades do Exército de Israel informaram no sábado que as Forças de Defesa Israelenses receberam orientações da cúpula política nacional para interromper os combates no sul do Líbano, apesar de um cessar-fogo tecnicamente vigente. Segundo um funcionário militar, as tropas "não estão realizando ataques proativos" e atuam "de forma defensiva dentro da zona de segurança" designada.
Essa mudança na postura defensiva de Israel pode representar uma tentativa de criar espaço para que as negociações em Zurique avancem sem interferências militares adicionais. A coordenação entre a retórica agressiva de Trump e o recuo tático israelense sugere uma estratégia política mais ampla voltada para pressionar o Irã nas conversas diplomáticas.
