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PF recupera mensagens de Vorcaro e Moraes apesar de visualização única

Polícia Federal conseguiu recuperar mensagens com visualização única entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes usando programas especializados. Entenda como fu...

PF recupera mensagens de Vorcaro e Moraes apesar de visualização única
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Como a Polícia Federal recuperou conversas protegidas

A investigação realizada pela Polícia Federal conseguiu recuperar mensagens com visualização única trocadas entre Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Embora o remetente tivesse utilizado um recurso que teoricamente impossibilitaria a visualização permanente das mensagens, técnicas de análise digital permitiram acessar o conteúdo das conversas através de rastros deixados no dispositivo móvel.

A estratégia de Vorcaro para ocultar mensagens

Segundo relatório da PF com sigilo removido pelo ministro André Mendonça, Vorcaro adotou um método criativo para contornar as limitações do WhatsApp. Como o aplicativo não oferece a opção nativa de mensagens com visualização única em formato de texto, o empresário utilizava o app Notas do iPhone para redigir as mensagens, realizava capturas de tela do conteúdo e enviava as imagens através do WhatsApp para o ministro Moraes.

No total, foram identificadas cinco mensagens com esse padrão enviadas em 17 de novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro e da apreensão de seu telefone na Operação Compliance Zero. Em uma dessas comunicações, Vorcaro questionava o contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA" sobre a possibilidade de "bloquear" determinado assunto.

Os rastros digitais deixados pelas capturas de tela

O método utilizado por Vorcaro, que aparentemente oferecia maior proteção, acabou gerando mais evidências digitais do que o esperado. Cada captura de tela criada no iPhone gerou arquivos temporários no sistema operacional do dispositivo. A Polícia Federal identificou o conteúdo das mensagens ao correlacionar os horários em que esses arquivos foram gerados com os momentos de envio das imagens no WhatsApp.

Perito em segurança digital entrevistado em reportagem anterior explicou que essa abordagem, paradoxalmente, facilita a recuperação de informações. Segundo o especialista, "é até mais fácil recuperar imagens do que a conversa propriamente dita", permitindo que investigadores analisem as correlações de dados e cheguem ao conteúdo das mensagens de visualização única que teoricamente ninguém mais conseguiria ver.

A criptografia do WhatsApp e suas limitações

O WhatsApp implementa criptografia de ponta a ponta desde 2016, mecanismo projetado para impedir interceptações durante o envio de mensagens pela rede. No entanto, essa proteção tem alcance limitado ao trajeto das comunicações. Quando as mensagens chegam aos aparelhos dos usuários, elas são descriptografadas e ficam legíveis para qualquer pessoa com acesso físico ao dispositivo.

A arquitetura do aplicativo armazena as conversas no próprio aparelho móvel, permitindo que autoridades com acesso ao telefone apreendido possam recuperar mensagens mesmo após sua exclusão pelo proprietário do dispositivo. Essa característica tornou possível que a Polícia Federal conseguisse acessar as comunicações entre Vorcaro e Moraes através de técnicas de análise forense digital.

Ferramentas sofisticadas utilizadas pela Polícia Federal

A investigação fez uso do programa Cellebrite, software de origem israelense com uso restrito que possibilita acessar mensagens e arquivos em iPhones e celulares Android mesmo quando bloqueados. Esse tipo de ferramenta consegue contornar mecanismos de segurança dos aparelhos e extrair dados armazenados na memória do dispositivo.

O Cellebrite possui equivalentes internacionais, como o programa americano GrayKey, frequentemente empregado em investigações criminais. Ambas as plataformas conseguem acessar o histórico completo de mensagens e recuperar dados que foram deletados pelo proprietário do aparelho, restaurando informações aparentemente perdidas.

IPED: o programa forense desenvolvido pela Polícia Federal

Complementando a análise, a PF utilizou o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), programa de desenvolvimento interno criado em 2012 por peritos da instituição. Essa ferramenta realiza varreduras completas do material extraído de celulares e permite identificar rapidamente informações dentro de conversas e arquivos digitais.

O IPED facilita significativamente o processo de busca em dados de celulares e consegue extrair texto inclusive de imagens armazenadas nos dispositivos. A ferramenta utiliza um princípio semelhante ao de radares de trânsito que fotografam placas veiculares e transformam os números em texto para identificação automática no sistema.

Segundo especialista em análise forense, todas as imagens são identificadas e convertidas em texto estruturado. A ferramenta extrai os textos presentes nas imagens, correlaciona as informações e organiza tudo de forma legível para consulta. Quando realizada uma busca textual, o programa identifica automaticamente os dados correlatos, acelerando significativamente o processo investigativo.

Capacidades avançadas de busca e análise

O IPED oferece funcionalidades sofisticadas que permitem buscas por padrões específicos, como números de CPF, valores monetários e outras informações estruturadas. Essas capacidades ajudam a agilizar investigações ao permitir que peritos identifiquem rapidamente dados relevantes entre volumes massivos de informações extraídas dos dispositivos apreendidos.

A combinação de ferramentas de extração de dados como Cellebrite com programas de análise e indexação como IPED cria um sistema poderoso de investigação digital que consegue recuperar informações mesmo quando usuários tentam ocultá-las através de técnicas avançadas, demonstrando que as estratégias de proteção de privacidade podem inadvertidamente gerar mais rastros digitais que facilitam a investigação.

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