Pesquisa Datafolha: 70% dos brasileiros querem punir menores como adultos
Datafolha revela que 70% dos brasileiros defendem punição de menores como adultos. Crescimento de 5% desde 2022. Confira os detalhes completos.

Crescimento na defesa de punição de menores como adultos
A posição favorável à punição de menores como adultos ganhou força entre a população brasileira, atingindo 70% segundo levantamento recente do Datafolha divulgado na sexta-feira (3). Esse resultado representa um avanço significativo em relação aos dados coletados em 2022, quando o índice estava em 65%, sinalizando um endurecimento progressivo da opinião pública acerca da responsabilização penal de adolescentes infratores.
O aumento de cinco pontos percentuais em quatro anos reflete mudanças nas percepções de segurança pública e justiça entre os eleitores brasileiros. A pesquisa de punição de menores como adultos integra o eixo de comportamento da matriz ideológica do instituto, acompanhando tendências nas convicções dos cidadãos sobre criminalidade e sanções penais juvenis.
Declínio do apoio à reeducação de adolescentes
Paralelamente ao crescimento da defesa punitiva, o apoio à reeducação de menores infratores sofreu redução considerável. Em 2022, 34% dos entrevistados defendiam essa abordagem; em 2026, esse percentual caiu para 27%, uma queda de sete pontos. O resultado sugere um movimento geral da população em direção a medidas mais rigorosas na contenção da delinquência juvenil, afastando-se de perspectivas ressocializadoras.
Os 3% restantes dos participantes não conseguiram definir posição sobre o tema. Essa divisão reflete o debate polarizado em torno das políticas criminais para menores, especialmente considerando que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) atualmente classifica condutas ilícitas cometidas por menores de 18 anos como atos infracionais, não crimes propriamente ditos.
Metodologia e confiabilidade da pesquisa
O levantamento do Datafolha contou com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, distribuídos em 139 municípios brasileiros. A coleta foi realizada presencialmente nos dias 17 e 18 de junho, com nível de confiança de 95%. A pesquisa encontra-se devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026, garantindo transparência e validade estatística dos resultados obtidos.
Análise por perfil religioso
As respostas sobre punição de menores como adultos variam significativamente conforme o perfil religioso dos entrevistados. Entre evangélicos, 75% defendem essa punição, enquanto 24% preferem a reeducação. Entre católicos, o apoio chega a 72%, com 25% optando por medidas ressocializadoras. Essa distribuição revela que a posição punitiva predomina em ambos os grupos religiossos, embora em intensidades distintas.
Diferenças conforme intenção de voto
As preferências políticas constituem fator determinante nas posições sobre responsabilidade criminal juvenil. Eleitores de Flávio Bolsonaro apresentam os maiores índices de apoio à punição como adulto: 81% concordam com essa medida, enquanto apenas 17% defendem reeducação. Entre eleitores de Lula, o apoio à punição é menor, alcançando 61%, com 37% preferindo abordagens reeducacionais.
Essa diferença de vinte pontos percentuais entre os dois grupos demonstra como a visão sobre justiça criminal está conectada à orientação política dos cidadãos, refletindo visões distintas sobre segurança pública e responsabilização.
Rejeição à descriminalização de drogas permanece elevada
Além da questão sobre punição de menores como adultos, o Datafolha investigou posicionamentos sobre políticas de drogas. A maioria absoluta dos brasileiros rejeita a descriminalização: 85% concordam com a afirmação de que o uso de entorpecentes deve ser proibido porque afeta toda a sociedade. Apenas 13% defendem a não-proibição, argumentando que as consequências recaem principalmente sobre o usuário, enquanto 2% não souberam opinar.
Comparando com dados de 2022, quando os percentuais eram 83% e 15% respectivamente, observa-se estabilidade nas posições. A variação ficou dentro da margem de erro, consolidando a rejeição à descriminalização como tema bem estabelecido na consciência coletiva brasileira.
Contexto do debate público
Os números do Datafolha sobre punição de menores como adultos inserem-se em contexto mais amplo de discussões sobre segurança, criminalidade e responsabilidade legal. As flutuações na opinião pública refletem experiências cotidianas de segurança, cobertura midiática de crimes e propostas políticas em circulação, influenciando como cidadãos veem questões de justiça criminal e proteção social.
A tendência de endurecimento demonstrada pelos dados sugere que políticas públicas sobre adolescentes infratores enfrentam pressão crescente da população por medidas mais severas, criando desafios para a implementação de programas baseados em princípios de reeducação e reabilitação.
