Lula e Flávio Bolsonaro confrontam propostas no primeiro debate do segundo turno
Lula e Flávio Bolsonaro participam do primeiro debate do segundo turno presidencial, discutindo segurança pública, economia e corrupção a uma semana da votação.

Primeiro debate do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro protagonizaram no domingo (18) o primeiro debate do segundo turno presidencial, enfrentando-se diretamente nos estúdios do Grupo Bandeirantes em São Paulo. O encontro marcou o primeiro confronto entre os candidatos nesta fase da campanha, ocorrendo a pouco mais de uma semana da votação agendada para 25 de outubro. O debate do segundo turno presidencial começou próximo às 20h15, reunindo os dois candidatos em momentos de discussão sobre as principais demandas do país.
Este foi o primeiro debate do segundo turno presidencial entre os dois candidatos, já que durante o primeiro turno, em 23 de agosto, ambos não participaram do encontro promovido pela Band, quando estiveram presentes Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. A ausência deles naquela ocasião deixava em aberto o confronto direto que finalmente se concretizou nesta noite.
Segurança pública em foco no primeiro bloco
A primeira questão do debate concentrou-se em segurança pública, incluindo discussões sobre o avanço do crime organizado, o domínio territorial por facções e milícias, além da possível redução da maioridade penal. Flávio Bolsonaro foi o primeiro a responder, afirmando que declararia "guerra ao narcoterrorismo" se eleito. O candidato propôs classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e organizações milicianas como grupos narcoterroristas, medida já prevista em seu plano de governo.
O senador prometeu recuperar territórios dominados pelas organizações criminosas, endurecer o tratamento contra membros de facções e aplicar a lei antifacção, que permitiria penas de até 80 anos de cadeia para líderes dessas organizações. "Eu vou recuperar cada metro. Eu vou recuperar cada rua. Eu vou recuperar cada bairro", declarou Flávio Bolsonaro, acusando o governo atual de adotar uma política de desencarceramento.
Lula respondeu destacando que a segurança pública é responsabilidade dos estados conforme a Constituição de 1988, mencionando que a PEC da Segurança Pública ampliaria a participação federal na área e criaria um novo Ministério da Segurança Pública se aprovada. O presidente também citou a Lei Antifacção, sancionada em março de seu mandato, afirmando que seu governo combate o crime organizado tanto em territórios dominados por facções quanto entre criminosos de maior poder econômico. "Para o trabalhador e para a comunidade, proteção. Para o bandido, prisão", resumiu Lula sua posição.
Economia e questões fiscais no debate
A segunda pergunta abordou o baixo crescimento econômico brasileiro, dívida pública, juros, carga tributária e recuperação do grau de investimento. Lula defendeu estímulos por meio da circulação de renda e incentivos aos pequenos negócios, citando políticas para Microempreendedores Individuais (MEIs) como estratégia para gerar emprego. O presidente afirmou estar próximo de recuperar o grau de investimento e destacou investimentos nas economias digital, verde e criativa.
Flávio Bolsonaro questionou a situação das famílias brasileiras, destacando o preço dos alimentos como evidência de deterioração econômica. "A sua vida melhorou ou piorou? A comida está mais cara ou está mais barata?", perguntou. O candidato atribuiu a queda das taxas de juros futuros ao resultado do primeiro turno, no qual terminou à frente de Lula, e criticou o crescimento da dívida pública, imputando o aumento ao que chamou de "gastança" governamental.
O senador prometeu controlar gastos para abrir espaço orçamentário, utilizando recursos tanto para reduzir a dívida pública quanto para auxiliar famílias endividadas. Seu plano econômico prevê ajuste fiscal com cortes de despesas, embora algumas medidas ainda não tenham sido detalhadas. "Eu vou ajudar você a pagar a sua dívida. Eu vou ajudar o governo a pagar a própria dívida", afirmou Flávio.
Confronto direto e acusações mútuas
Durante o confronto direto, Lula questionou Flávio sobre um voto dado em 2009 contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras, quando era deputado estadual. Flávio respondeu que não tem "absolutamente nada contra as mulheres", sem, porém, explicar o voto. Em seguida, voltou-se para acusações contra o presidente, mencionando a empresária e lobista Roberta Luchsinger e investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ambos sob investigação da Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência.
O embate evoluiu para acusações de corrupção. Flávio citou o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS, acusando o governo Lula de não proteger os aposentados. O presidente respondeu que o esquema foi descoberto e combatido em seu mandato, com a Polícia Federal indiciando 48 pessoas na primeira investigação sobre as fraudes.
Lula também cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões negociados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Flávio negou irregularidades, afirmando já ter explicado o caso, enquanto a Polícia Federal investiga o financiamento da produção cinematográfica.
Questões adicionais e considerações finais do confronto
Na sequência do confronto, Flávio retornou a temas econômicos, criticando os juros e acusando o presidente de usar o Bolsa Família como ferramenta eleitoral. Lula reorientou a discussão para segurança pública, questionando o adversário sobre posições relacionadas à política de armas e casos de violência no Rio de Janeiro.
O presidente também perguntou a Flávio sobre o fim da escala 6x1, questionando se pretendia propor mudanças na medida. Flávio respondeu negativamente, embora tenha votado a favor do fim da escala no Senado após ter se posicionado contrariamente à proposta. Na reta final, Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com o presidente argentino Javier Milei e se pretendia adotar o modelo econômico argentino no Brasil, ao qual Flávio não respondeu diretamente.
Contexto da disputa presidencial
O debate ocorre em meio a uma competição acirrada pela Presidência. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta (15) apontou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto e Lula com 45%, com os candidatos tecnicamente empatados. Levantamento Quaest publicado na quarta (14) indicou Flávio com 46% e Lula com 44%, confirmando a proximidade entre os concorrentes.
No primeiro turno, Flávio terminou à frente com aproximadamente 2,2 milhões de votos adicionais em relação a Lula, representando uma diferença de 1,87 ponto percentual. Na reta final da campanha, ambas as candidaturas apostam em debates e mobilização nas ruas para conquistar votos. A campanha de Lula pretende destacar medidas de apelo popular, enquanto aliados de Flávio planejam intensificar respostas aos ataques presidenciais e ampliar o espaço para as propostas do senador.
Organização do debate do segundo turno presidencial
O encontro foi estruturado em três blocos, contendo perguntas dos apresentadores e momentos de confronto direto. No primeiro bloco, os jornalistas formularam uma pergunta a cada candidato, seguida de 30 minutos de confronto direto. O segundo bloco iniciou com perguntas dos apresentadores para cada concorrente, seguido de questionamento direto entre eles. O terceiro bloco manteve a mesma dinâmica, com perguntas dos apresentadores, confronto direto e considerações finais.
A mediação foi realizada pelos jornalistas Eduardo Oinegue e Adriana Araújo, com participação de jornalistas do Grupo Bandeirantes e de um pool de veículos formado por TV Gazeta, TV Cultura, Jovem Pan e o jornal O Estado de S. Paulo. Flávio Bolsonaro chegou aos estúdios por volta das 19h26, afirmando esperar pelo confronto desde o primeiro turno e prometendo apresentar suas propostas. Luiz Inácio Lula da Silva chegou posteriormente, expressando esperança em um debate que esclarecesse as propostas de cada candidato para o país, pedindo "uma aula de civilidade".
