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Justiça encerra recuperação judicial da Americanas

A Justiça do Rio de Janeiro decretou o fim da recuperação judicial da Americanas, marca do cumprimento integral do plano aprovado pelos credores após fraude con...

Justiça encerra recuperação judicial da Americanas
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Justiça do Rio encerra recuperação judicial da Americanas

A recuperação judicial da Americanas chegou ao fim após decisão da Justiça do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (19). O encerramento marca o cumprimento integral das metas estabelecidas no plano que foi aprovado por 91% dos credores da varejista, recuperando a confiança no modelo de negócio após período turbulento de crise financeira.

A sentença foi proferida pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que analisou o pedido encaminhado pela companhia em março deste ano. A decisão contou com pareceres favoráveis tanto da Administração Judicial quanto do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, consolidando assim o fechamento desse capítulo crítico na história da empresa.

Recuperação de resultados e operações

Desde o início do processo de recuperação judicial da Americanas, a empresa demonstrou capacidade de reversão operacional significativa. No primeiro semestre de 2026, as lojas em atividade registraram crescimento de vendas de 9,3%, refletindo a retomada do apetite dos consumidores pelos produtos e serviços oferecidos pela varejista.

Os ganhos de eficiência operacional alcançaram R$ 500 milhões durante o período, evidenciando que as estratégias implementadas pela administração geraram resultados concretos. A companhia reafirmou seu compromisso com o crescimento sustentável das operações e com a experiência aprimorada dos clientes em comunicado oficial divulgado como fato relevante.

Contexto da crise contábil que levou à recuperação judicial

A necessidade da recuperação judicial da Americanas emergiu em janeiro de 2023 após a divulgação de um dos maiores esquemas de fraude contábil do país. A varejista identificou inconsistências nos lançamentos contábeis que totalizavam aproximadamente R$ 20 bilhões nos balanços apresentados anteriormente.

Sergio Rial, que havia assumido a presidência apenas nove dias antes da descoberta, deixou o cargo imediatamente após o caso vir a público. Sua saída se sucedeu à de Miguel Gutierrez, seu antecessor. O impacto nos investidores foi devastador: os papéis da Americanas desabaram quase 80% em um único pregão, com a queda continuando nos dias subsequentes.

Processo de recuperação e reestruturação

Em 19 de janeiro de 2023, a Americanas protocolou formalmente o pedido de recuperação judicial da Americanas na Justiça do Rio de Janeiro. Naquela ocasião, suas ações foram retiradas da B3, marcando o afastamento temporário da empresa do mercado de valores mobiliários.

O plano inicial de recuperação foi apresentado em março de 2023, mas apenas em 19 de dezembro daquele ano obteve a aprovação definitiva pelo corpo de credores. O documento considerava uma dívida total superior a R$ 50 bilhões, sendo aproximadamente R$ 42 bilhões correspondentes a débitos concursais passíveis de renegociação.

Aporte de acionistas e viabilidade do plano

Para viabilizar a recuperação judicial da Americanas, o plano de reestruturação previa a injeção de R$ 12 bilhões pelos acionistas de referência da companhia. Esse aporte partiu do trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles, demonstrando confiança na viabilidade do modelo de negócio após a reestruturação.

O compromisso financeiro dos principais acionistas foi fundamental para a aprovação massiva pelos credores, que reconheceram a disposição da gestão em recapitalizar a empresa e restaurar sua operacionalidade no mercado varejista nacional.

Valorização das ações e confiança restaurada

A conclusão da recuperação judicial da Americanas gerou reação positiva no mercado de capitais. A ação da companhia fechou o pregão em alta de aproximadamente 7%, sendo cotada a R$ 5,97, refletindo a confiança dos investidores na trajetória de recuperação e na continuidade das operações normalizadas.

Com o encerramento formal do processo de recuperação, a Americanas segue em seu caminho de fortalecimento sustentável, buscando consolidar o crescimento operacional já demonstrado e reafirmar sua posição como varejista relevante no mercado brasileiro.

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