EUA intensificam combate ao narcotráfico no Equador com novo pacote de ajuda
Estados Unidos anuncia intensificação da guerra contra o narcotráfico no Equador com investimento de US$ 55 milhões e designação de grupos terroristas.

Nova estratégia norte-americana contra o tráfico de drogas
O combate ao narcotráfico no Equador ganhou novas proporções nesta semana com o anúncio feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Durante visita ao país sul-americano, o diplomata confirmou que os Estados Unidos pretendem intensificar operações de segurança contra as organizações criminosas que dominam o mercado de drogas na região. A estratégia representa um fortalecimento significativo do envolvimento americano na luta contra o tráfico que assola a nação equatoriana.
Designação de grupos como organizações terroristas
Uma das medidas mais impactantes anunciadas refere-se à classificação de Los Tiguerones como organização terrorista estrangeira. Esse grupo, conhecido por sua violência extrema, é considerado um dos atores mais perigosos na guerra interna pelo controle do narcotráfico no Equador. Segundo Rubio, estas facções não se comportam como máfias convencionais, mas funcionam como verdadeiros "exércitos" equipados com armamentos sofisticados. A designação abre caminho para operações mais agressivas de rastreamento de líderes, parceiros e recursos financeiros do grupo Los Tiguerones e de outras organizações similares.
Desde o início de 2025, o Departamento de Estado dos EUA já havia designado outros grupos criminosos equatorianos como terroristas, incluindo Los Choneros, Los Lobos e Chone Killers. Essa progressão demonstra o compromisso crescente da administração Trump com o desmantelamento de estruturas criminosas na região.
Magnitude da crise de violência no Equador
O contexto que justifica essa escalada na intervenção americana é alarmante. Durante 2025, o Equador se tornou o país mais violento da América Latina, com 51 homicídios para cada 100 mil habitantes, equivalente a um assassinato a cada hora. Os grupos criminosos, que mantêm alianças com máfias albanesas e mexicanas, disputam o controle de rotas de distribuição de cocaína. Estima-se que aproximadamente 70% da cocaína produzida na Colômbia e no Peru transitem pelo território equatoriano, tornando o país um ponto estratégico fundamental no tráfico internacional de drogas.
Pacote de ajuda financeira e militar
Para viabilizar essa estratégia ampliada contra o narcotráfico no Equador, Washington anunciou um investimento de US$ 55 milhões (aproximadamente R$ 280 milhões). Esses recursos serão direcionados para o desmantelamento das estruturas criminosas e para a intensificação das operações contra a mineração ilegal, setor frequentemente associado ao financiamento de grupos armados.
Além do suporte financeiro, os Estados Unidos fornecerão equipamento militar significativo. A Marinha norte-americana cederá um navio da Guarda Costeira destinado à vigilância das águas do Pacífico, e completará a entrega de 12 embarcações interceptadoras especializadas no combate a lanchas utilizadas no transporte de entorpecentes. Esses recursos ampliam consideravelmente a capacidade operacional equatoriana.
Operações conjuntas e resultados recentes
As forças armadas equatorianas e americanas já desenvolvem operações militares coordenadas contra navios pesqueiros suspeitos de servirem como cobertura para o transporte de cocaína no Pacífico. Nos últimos dias, essa colaboração resultou no afundamento de seis embarcações em um período de duas semanas, com a mais recente ação ocorrendo na terça-feira anterior ao anúncio oficial.
Contexto regional e geopolítico
A visita de Marco Rubio faz parte de uma jornada mais ampla pela região, iniciada na Colômbia e que seguirá para o Peru. Os três países, governados por administrações de direita alinhadas com Washington, constituem peças-chave da estratégia americana para o hemisfério. O encontro com o presidente equatoriano Daniel Noboa foi seguido por encontro com o recém-empossado presidente colombiano Abelardo de la Espriella, que aderiu ao Escudo das Américas, aliança liderada pela administração Trump contra o narcotráfico internacional.
A estratégia norte-americana não se limita ao combate ao tráfico. Rubio utilizou sua viagem para alertar sobre o que considera práticas predatórias de potências estrangeiras, particularmente a China, na América Latina. O secretário de Estado também abordou com autoridades mexicanas a necessidade de maior empenho no combate aos cartéis, embora com disposição para colaboração mútua.
Preocupações com direitos humanos
As operações intensivas contra o narcotráfico no Equador geraram denúncias de potenciais violações de direitos humanos. Organizações não-governamentais equatorianas registram pelo menos 143 prisões arbitrárias em 2026, além de relatos sobre desaparecimentos forçados, torturas e destruições de embarcações através de explosões acionadas por militares norte-americanos. Pescadores e familiares entrevistados em cidades como Manta negam envolvimento com tráfico e expõem supostos abusos de autoridades.
Próximos passos da estratégia americana
Marco Rubio prosseguirá sua missão regional no Peru, onde está agendada reunião com a presidente Keiko Fujimori. A sequência de visitas e anúncios reforça o compromisso da administração Trump com uma estratégia coordenada de segurança que integra países latino-americanos contra o narcotráfico, simultaneamente buscando conter a influência de rivais geopolíticos na região.
