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Anatel e plataformas digitais unem forças contra minicelulares em prisões

Anatel fecha acordo com marketplaces para combater venda de minicelulares usados em presídios. Confira quais varejistas participam da iniciativa.

Anatel e plataformas digitais unem forças contra minicelulares em prisões
Fonte: g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/06/24/anatel-e-lojas-online-fazem-acordo-contra-minicelulares-usados-em-presidios.ghtml

Acordo histórico entre Anatel e varejistas online contra minicelulares em presídios

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e as principais plataformas de comércio eletrônico brasileiras selaram um pacto na última terça-feira (23) para conter a comercialização de minicelulares, dispositivos de tamanho extremamente reduzido que burlam sistemas de vigilância em unidades prisionais. O acordo marca um passo significativo na luta contra a entrada desses aparelhos em presídios, representando uma ameaça à segurança penitenciária nacional.

A iniciativa foi celebrada entre a agência reguladora e as principais lojas online que operam no Brasil através de seus marketplaces, estruturas utilizadas por vendedores terceirizados para comercializar produtos em plataformas consolidadas de grande circulação. Essa estratégia busca controlar a oferta desses dispositivos antes que cheguem aos consumidores interessados em usá-los para fins ilícitos.

Varejistas que participam do compromisso

Sete grandes nomes do varejo online brasileiro assumiram o compromisso de intensificar a fiscalização de anúncios e vendas. As empresas que integram esse acordo são: Amazon, Shopee, Mercado Livre, Casas Bahia, Magalu, Carrefour e Temu. Essas plataformas concentram significativa parcela do comércio eletrônico nacional, tornando o compromisso particularmente relevante para interromper a cadeia de distribuição desses aparelhos.

Como funcionará o sistema de detecção

Para fortalecer os mecanismos de fiscalização e coibir a comercialização irregular de minicelulares, o pacto prevê que as plataformas implementem tecnologias avançadas, incluindo sistemas baseados em inteligência artificial. Essas ferramentas terão como função principal verificar se o número de homologação da Anatel corresponde efetivamente ao aparelho que está sendo anunciado para venda.

O número de homologação funciona como uma espécie de registro único do celular, semelhante a um documento de identidade do equipamento. Através dessa numeração, é possível confirmar informações cruciais como o fabricante oficial, o modelo exato do dispositivo e suas especificações técnicas legítimas. Essa validação se mostra essencial para impedir a venda de equipamentos falsificados ou de origem duvidosa.

Conforme destacou o superintendente Vinicius Caram, existe um "elevado percentual de anúncios que não informam o número de homologação, o modelo do equipamento ou o fabricante, além daqueles que apresentam divergências entre as especificações divulgadas e o produto ofertado". Essa realidade tornou premente a necessidade de medidas mais rigorosas de controle.

Próximos passos da implementação

As plataformas digitais envolvidas no acordo se comprometeram a apresentar, em cronograma a ser definido, quais medidas adicionais serão adotadas além da fiscalização do número de homologação. Após essa etapa, será formado um grupo de trabalho conjunto com a Anatel para acompanhar a implementação e a eficácia das ações de combate.

O problema dos minicelulares nos presídios brasileiros

Os minicelulares despertam interesse de detentos justamente por sua capacidade de contornar os sistemas de segurança penitenciária. O tamanho extremamente reduzido desses aparelhos permite que passem despercebidos pelos equipamentos de detecção presentes nas unidades prisionais, facilitando a comunicação entre internos e pessoas do lado de fora.

Em 2023, agentes prisionais de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre (RS), realizaram uma apreensão que ilustrou perfeitamente o problema. Um minicelular foi localizado dentro de uma cela e seu tamanho surpreendeu as autoridades: o dispositivo não havia sido detectado pelos equipamentos de fiscalização da unidade, possuindo dimensões equivalentes à de uma tampa de caneta comum.

Outro caso igualmente preocupante ocorreu no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Um detento foi descoberto em posse de três aparelhos miniaturizados, juntamente com quatro baterias, dos quais ele havia ingerido três minicelulares em uma tentativa desesperada de ocultação. O incidente demonstra até que ponto criminosos estão dispostos a ir para manter esses dispositivos em seu poder.

Já em 2025, as autoridades de um presídio em Cuiabá, no Mato Grosso, apreenderam um minicelular em formato de lata de refrigerante dentro de uma cela. Assim como nos casos anteriores, o aparelho conseguiu burlar completamente os mecanismos de vigilância da unidade, entrando no presídio sem acionar nenhum alarme ou sistema de detecção.

Impacto na segurança prisional e pública

A proliferação de minicelulares em presídios representa uma ameaça concreta à segurança pública, pois permite que detentos coordenem atividades criminosas do interior das celas. Por meio desses aparelhos, internos conseguem dirigir operações ilícitas do lado de fora das prisões, comprometendo investigações policiais e colocando em risco a integridade de agentes penitenciários e da população civil.

O acordo entre Anatel e as plataformas online constitui uma resposta institucional necessária para enfrentar essa vulnerabilidade no sistema penitenciário nacional. Ao controlar a venda desses dispositivos nas principais lojas online do país, as autoridades esperam reduzir significativamente a disponibilidade desses aparelhos no mercado ilegal que os abastece.

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