Efeito visual descrito por pacientes se repete com impressionante semelhança e desafia o que se sabe sobre substâncias alucinógenas
Nos últimos anos, tem havido um aumento significativo no interesse e na pesquisa sobre os efeitos das substâncias alucinógenas no cérebro humano. Essas substâncias, também conhecidas como psicodélicos, têm sido usadas por culturas antigas em rituais religiosos e curativos, mas só recentemente começaram a ser estudadas cientificamente.
Uma das características mais marcantes dos psicodélicos é a capacidade de causar alucinações visuais, ou seja, a percepção de imagens que não estão realmente presentes no ambiente. Esses efeitos visuais são frequentemente descritos como coloridos, vibrantes e altamente complexos, e podem variar de pessoa para pessoa e de acordo com a substância utilizada.
No entanto, um estudo recente publicado na revista científica “Neuron” revelou um fenômeno surpreendente: pacientes que receberam doses terapêuticas de psilocibina, substância encontrada em cogumelos alucinógenos, relataram efeitos visuais muito semelhantes aos descritos por pacientes que receberam doses de LSD, uma substância completamente diferente.
Isso desafia o que se sabe sobre os efeitos específicos de cada substância alucinógena e sugere que pode haver um mecanismo comum por trás desses efeitos visuais.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e contou com a participação de 15 pacientes com depressão resistente ao tratamento. Os participantes receberam doses de psilocibina em uma sessão de terapia assistida por psicodélicos e, em outra sessão, receberam doses de um placebo.
Durante as sessões, os pacientes foram monitorados por meio de ressonância magnética funcional, que permite visualizar a atividade cerebral em tempo real. Os pesquisadores também coletaram relatos dos pacientes sobre seus efeitos visuais durante as sessões.
Os resultados mostraram que, apesar de receberem doses diferentes de substâncias diferentes, os pacientes relataram efeitos visuais muito semelhantes, incluindo padrões geométricos, cores intensas e distorções visuais. Além disso, a análise da atividade cerebral mostrou que as duas substâncias ativaram áreas semelhantes do cérebro, sugerindo um mecanismo comum por trás desses efeitos.
Esses resultados são particularmente interessantes porque desafiam a ideia de que cada substância alucinógena tem efeitos específicos e distintos. Até então, acreditava-se que a psilocibina e o LSD atuavam em diferentes receptores do cérebro, o que explicaria suas diferenças nos efeitos visuais.
No entanto, esse estudo sugere que pode haver um mecanismo mais amplo e complexo por trás dos efeitos visuais dos psicodélicos. Os pesquisadores acreditam que essas substâncias podem ativar uma rede neural que normalmente não é acessada em condições normais, o que pode levar a experiências visuais intensas e complexas.
Além disso, os resultados deste estudo também têm implicações importantes para o uso terapêutico dos psicodélicos. A psilocibina tem sido estudada como uma possível opção de tratamento para transtornos mentais, como a depressão e o transtorno de estresse pós-traumático. No entanto, ainda há muito a ser compreendido sobre seus efeitos e mecanismos de ação.
Com esses novos dados, os pesquisadores podem ter uma melhor compreensão de como os psicodélicos afetam o cérebro e,
