A descoberta de um crânio fossilizado na Etiópia, datado de 3,8 milhões de anos atrás, está mudando completamente a forma como entendemos a evolução humana. O fóssil, apelidado de “MRD”, pertencia a um ancestral humano desconhecido até então e sua reconstrução facial revela que a evolução e as primeiras migrações foram muito mais complexas do que se imaginava.
Até agora, acreditava-se que a evolução humana havia seguido uma linha reta, com os primeiros hominídeos surgindo na África e, posteriormente, migrando para outras regiões do mundo. No entanto, a descoberta do MRD sugere que a história da evolução humana é muito mais diversificada e que diferentes espécies coexistiram e interagiram ao longo dos anos.
Os restos fossilizados do MRD foram encontrados em 2016, na região de Woranso-Mille, na Etiópia, por uma equipe de pesquisadores liderada pela paleoantropóloga Yohannes Haile-Selassie. O crânio estava em um estado excepcional de preservação, com grande parte da face e dos dentes intactos, o que permitiu uma reconstrução facial precisa.
A análise do crânio revelou que o MRD pertencia a uma espécie desconhecida de hominídeo, que recebeu o nome de Australopithecus anamensis. Esta espécie é considerada um dos primeiros ancestrais humanos e é anterior ao famoso Australopithecus afarensis, que inclui o famoso fóssil “Lucy”. O MRD é, portanto, o fóssil mais antigo já encontrado pertencente a um ancestral humano.
A reconstrução facial do MRD foi realizada por um time de especialistas em antropologia e anatomia, liderados pela artista forense John Gurche. A partir de moldes do crânio e de uma análise detalhada das características faciais, Gurche conseguiu recriar o rosto do MRD com uma precisão impressionante. A reconstrução revelou um rosto robusto, com uma mandíbula forte e dentes grandes, características que indicam uma dieta baseada em alimentos duros e fibrosos.
Além disso, a reconstrução facial do MRD também mostrou características que o diferenciam de outros ancestrais humanos, como uma testa mais baixa e uma face mais larga. Isso sugere que o MRD pode ter se adaptado a um ambiente diferente dos seus parentes próximos, o que indica uma maior diversidade de habitats e estilos de vida entre as espécies de hominídeos.
A descoberta e a reconstrução do MRD também levantam questões sobre as primeiras migrações humanas. Acredita-se que os hominídeos deixaram a África pela primeira vez há cerca de 2 milhões de anos, mas o MRD é muito mais antigo do que isso. Isso sugere que a migração humana pode ter começado muito antes do que se pensava e que diferentes espécies podem ter migrado em diferentes momentos.
Além disso, a reconstrução facial do MRD também nos permite ter uma visão mais realista de como eram nossos ancestrais. Ao invés de imagens estereotipadas de homens das cavernas, a reconstrução nos mostra um rosto humano, com expressões e características semelhantes às nossas. Isso nos aproxima ainda mais da nossa história evolutiva e nos ajuda a entender melhor de onde viemos.
Em suma, a descoberta e a reconstrução do MRD são um marco importante na história da evolução humana. Elas nos mostram que a evolução não é uma linha reta, mas sim um processo complexo e diversificado, com