Nos últimos anos, temos visto um aumento na conscientização sobre a importância da saúde e do acesso a um sistema de saúde de qualidade. No entanto, muitas vezes nos perguntamos se as pessoas realmente são ouvidas e suas demandas são atendidas dentro desse sistema. Infelizmente, a resposta é que ainda há muito a ser feito nesse sentido no Brasil.
Um novo campo de estudos tem se destacado ao avaliar até que ponto as pessoas são ouvidas e suas demandas são atendidas no sistema de saúde. Essa área é conhecida como “escuta ativa” e tem como objetivo garantir que os pacientes sejam ouvidos e suas demandas sejam levadas em consideração em todas as etapas do processo de cuidado.
Uma das principais preocupações em relação à saúde no Brasil é a falta de acesso à atenção básica. Muitas pessoas enfrentam dificuldades para agendar consultas, obter medicamentos e realizar exames, o que acaba resultando em um grande número de pacientes que não recebem o tratamento adequado. Além disso, muitas vezes, quando conseguem acesso ao sistema de saúde, essas pessoas não se sentem ouvidas e suas demandas não são atendidas de maneira efetiva.
É importante ressaltar que a escuta ativa não se refere apenas à comunicação entre médico e paciente, mas também engloba a comunicação entre todos os profissionais de saúde envolvidos no tratamento. A troca de informações entre os membros da equipe é essencial para garantir um atendimento efetivo e personalizado.
No entanto, esse ainda é um grande desafio no Brasil. Muitas vezes, os pacientes não têm acesso a um atendimento multidisciplinar, o que prejudica a qualidade do cuidado e a compreensão do seu quadro de saúde. Além disso, a falta de comunicação entre os profissionais pode levar a erros de diagnóstico e tratamento, o que pode ser fatal.
Outro fator que influencia na escuta ativa é a falta de investimento no sistema de saúde. A precariedade da infraestrutura e a falta de recursos humanos e materiais afetam diretamente a qualidade do atendimento e a capacidade dos profissionais de saúde de ouvirem e atenderem às demandas dos pacientes. Além disso, a sobrecarga de trabalho e a falta de condições adequadas de trabalho também podem impactar negativamente na escuta ativa.
No entanto, nem tudo são notícias ruins. Há iniciativas que visam melhorar a escuta ativa no sistema de saúde brasileiro. O Ministério da Saúde, por exemplo, lançou recentemente o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ), que tem como um dos objetivos aprimorar a comunicação entre profissionais e pacientes. Além disso, algumas unidades de saúde já estão implementando ferramentas que facilitam a comunicação entre a equipe e o paciente, como a prontuário eletrônico.
Além disso, também é importante destacar que a participação da sociedade é fundamental para a melhoria da escuta ativa no sistema de saúde. É preciso que os pacientes sejam encorajados a compartilhar suas opiniões e demandas, e que essas sejam levadas em consideração pelas autoridades e profissionais de saúde.
Em resumo, a escuta ativa é um importante aspecto a ser considerado na busca por um sistema de saúde de qualidade. Ainda há muito a ser feito para garantir que as pessoas sejam ouvidas e suas demandas atendidas, mas é importante reconhecer que já há iniciativas sendo tomadas para melhorar essa situação. É responsabilidade de todos, sociedade e governantes, trabalhar juntos para garantir que a saúde seja uma prioridade e que todos tenham acesso a um atendimento digno e efetivo.
