Recentemente, um grupo de pesquisadores desenvolveu um sensor sustentável e de baixo custo capaz de identificar a presença de nitrito de sódio em bebidas. Esse conservante, proibido em diversas partes do mundo, tem sido associado à formação de compostos cancerígenos e representa um risco à saúde pública.
O nitrito de sódio é frequentemente utilizado como conservante em alimentos e bebidas, especialmente em carnes processadas como salsichas, presuntos e bacon. Além de prolongar a vida útil dos alimentos, esse composto também é responsável por dar cor e sabor característicos a esses produtos. No entanto, seu uso tem sido alvo de preocupação por parte de especialistas de saúde, devido aos possíveis efeitos nocivos à saúde humana.
De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, o consumo de carnes processadas pode aumentar o risco de câncer colorretal em até 18%. Isso ocorre porque durante o processo de digestão, o nitrito de sódio pode se transformar em nitrosaminas, compostos químicos considerados cancerígenos.
Com o objetivo de combater essa ameaça à saúde, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um sensor de baixo custo e sustentável capaz de detectar a presença de nitrito de sódio em bebidas. O dispositivo utiliza um material chamado carbono amorfo, que é obtido a partir da queima de resíduos de biomassa, como cascas de arroz e bagaço de cana-de-açúcar. Essa tecnologia é mais acessível e ecologicamente correta em comparação aos sensores convencionais, que utilizam materiais caros e poluentes.
O sensor funciona de maneira simples e eficaz. Quando em contato com a bebida, o carbono amorfo reage com o nitrito de sódio presente, gerando uma corrente elétrica que pode ser medida e quantificada. Com isso, é possível determinar a quantidade de nitrito de sódio presente na amostra. Além disso, o dispositivo também é capaz de identificar outros compostos tóxicos, como o nitrato de sódio, utilizado como fertilizante e que pode contaminar a água e os alimentos.
A importância dessa descoberta vai além da detecção do nitrito de sódio em bebidas. O sensor também pode ser utilizado em outras áreas, como na análise de água e no controle de qualidade de alimentos. Além disso, sua simplicidade e baixo custo possibilitam que ele seja utilizado em países em desenvolvimento, onde o acesso a tecnologias mais avançadas é limitado.
Os pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento do sensor acreditam que sua criação pode ser uma importante ferramenta no combate ao uso indiscriminado de conservantes nocivos à saúde. Além disso, a tecnologia também pode incentivar a redução do desperdício de alimentos, uma vez que o uso de conservantes é muitas vezes necessário para prolongar a vida útil dos produtos.
É importante ressaltar que, apesar da proibição em diversos países, o nitrito de sódio ainda é amplamente utilizado em alimentos e bebidas em muitas regiões do mundo. Por isso, a criação desse sensor é um avanço significativo na busca por uma alimentação mais saudável e segura.
Em resumo, o sensor sustentável e de baixo custo desenvolvido pela UFSCar é uma importante ferramenta no combate ao uso de conservantes nocivos à saúde, como o nitrito de sódio. Sua tecnologia acessível e ecologicamente correta pode contribuir para a melhoria da qualidade dos alimentos e bebidas consumidos pela população. Esperamos que essa descoberta seja amplamente divulgada e utilizada, para que possamos garantir uma alimentação mais saud
