Mais de um ano após as enchentes que devastaram o estado do Rio Grande do Sul, o estado ainda está se recuperando e trabalhando para reconstruir escolas e se preparar para futuros desastres climáticos. De acordo com a secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, oito escolas e a própria Secretaria de Educação ainda não conseguiram retornar aos edifícios onde funcionavam antes das cheias.
No entanto, o trabalho de reconstrução não se limita apenas à construção dos prédios. É necessário também implementar um plano de contingência que torne não apenas as escolas, mas toda a comunidade escolar, mais preparada para enfrentar tempestades, alagamentos e outros fenômenos naturais. Nos últimos anos, a região tem sofrido com a ocorrência cada vez mais frequente de ciclones, chuvas intensas e calor extremo.
De acordo com Raquel, é importante que as escolas estejam preparadas para qualquer eventualidade e que as pessoas estejam emocionalmente, mentalmente e cientificamente preparadas para lidar com essas situações. Assim como o Japão aprendeu a conviver com tsunamis, a Califórnia com terremotos e a Itália com vulcões, o Rio Grande do Sul está aprendendo a conviver com as características climáticas da região.
A secretária participou do II Fórum Internacional de Sustentabilidade e Educação, promovido pela Fundação Santillana e pela Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, Ciência e Cultura (OEI). Com o tema “A escola de hoje: resiliente, inclusiva e tecnológica”, o evento discutiu o papel da educação na construção de sociedades mais justas e sustentáveis.
Um dos principais pontos destacados por Raquel é a importância da participação da comunidade escolar nesse processo. Ela ressaltou que não se trata apenas de um plano de contingência, mas de um plano discutido e implementado em conjunto com a comunidade. Afinal, cada escola tem sua própria realidade e é preciso adaptar o plano de acordo com sua localização, características e necessidades.
Para isso, o governo do Rio Grande do Sul tem trabalhado em parceria com o Banco Mundial, mapeando 730 escolas que correm risco de destruição em caso de desastres naturais. Dessas, 87 foram consideradas mais vulneráveis e já estão implementando o plano de contingência de forma piloto.
Um exemplo de estrutura desenvolvida a partir dessa experiência é o Ginásio Resiliente, que pode ser utilizado tanto para atividades esportivas quanto como abrigo em caso de emergências. Ele possui uma estrutura reforçada e pode funcionar de forma independente, garantindo a continuidade do ensino mesmo em situações adversas.
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 foram consideradas o maior desastre natural do estado. Ao todo, 478 das 497 cidades gaúchas foram afetadas, impactando diretamente cerca de 2,4 milhões de habitantes. O número de mortes chegou a 184 e ainda há 25 pessoas desaparecidas.
Educação e sustentabilidade andam juntas nesse processo de reconstrução. A experiência do Rio Grande do Sul foi compartilhada até mesmo em Valência, na Espanha, que também foi gravemente afetada por tempestades em 2024. O arquiteto espanhol José Picó, fundador do escritório Espacios Maestros, foi um dos responsáveis pela reconstrução de uma escola na região. Ele ressaltou a importância de ouvir a comunidade escolar e adaptar os espaços às suas necessidades e realidades.
Picó defende que as escolas devem ser adaptadas às necessidades atuais, não apenas para serem resilientes a desastres clim
