Um relatório recente divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) traz à tona a importância de melhorar a qualidade das refeições servidas nas escolas ao redor do mundo. Embora quase metade das crianças tenham acesso à alimentação escolar, o documento alerta para a falta de atenção ao valor nutricional dos alimentos oferecidos.
De acordo com o relatório intitulado “Educação e nutrição: aprender a comer bem”, produzido em parceria com o Consórcio de Pesquisa para Saúde e Nutrição Escolar, é necessário priorizar refeições equilibradas, preparadas com produtos frescos e acompanhadas de ações de educação alimentar. Além disso, o relatório destaca que as refeições escolares podem contribuir para o aumento das matrículas e da frequência escolar, bem como para a melhoria do desempenho pedagógico.
Um dos principais alertas do relatório é a relação direta entre a falta de monitoramento e o aumento da obesidade infantil, que mais do que dobrou desde 1990, ao mesmo tempo em que cresce a insegurança alimentar global. Apenas 93 dos 187 países avaliados possuem normas para regular alimentos em escolas e somente 65% deles controlam a venda de produtos em cantinas e máquinas automáticas.
A Unesco enfatiza que a maior oferta de alimentos in natura pode ser alcançada por meio da valorização da agricultura familiar e da cultura local. Isso não só contribui para a identidade regional, mas também para a valorização do pequeno agricultor, mantendo o recurso na comunidade e promovendo a economia circular na região. Tudo isso com base em uma alimentação saudável.
Entre as iniciativas positivas destacadas no relatório está o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no Brasil, que passou a restringir o uso de alimentos ultraprocessados. No entanto, para que esses números avancem ainda mais, a Unesco defende uma maior fiscalização por parte do poder público.
“A legislação brasileira já não permite a incidência alta de alimentos ultraprocessados na alimentação escolar, então acredito que é preciso ter mais fiscalização”, afirma Lorena Carvalho, oficial de projetos do setor de educação da Unesco no Brasil.
Ela acrescenta que esses produtos são mais fáceis de conservar e têm uma validade maior, o que reduz o risco de estragar na cantina. A alimentação escolar é um investimento e, em alguns casos, as secretarias de educação utilizam recursos próprios, não apenas os recursos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).
O relatório também destaca experiências positivas em outros países, como na China, onde a inclusão de vegetais, leite e ovos em escolas rurais aumentou a ingestão de nutrientes e a frequência escolar. Na Nigéria, o programa de alimentação escolar com base na produção local aumentou em 20% as matrículas no ensino primário. Além disso, a introdução de milheto fortificado em refeições escolares na Índia melhorou a atenção e a memória de adolescentes.
Para garantir uma alimentação escolar de qualidade, a Unesco defende que os governos priorizem alimentos frescos e locais, reduzam o consumo de produtos ultraprocessados e incluam a educação alimentar nos currículos escolares. Além disso, até 2025, serão lançadas ferramentas práticas e programas de formação voltados para gestores públicos e educadores.
O relatório faz parte do Monitoramento Global da Educação (GEM), que acompanha os avanços dos países em relação aos Objetivos de
