Nos últimos anos, as redes sociais se tornaram uma parte integrante de nossas vidas. Elas nos conectam com amigos e familiares, nos mantêm informados sobre as últimas notícias e tendências e nos permitem compartilhar nossas opiniões e pensamentos com o mundo. No entanto, também é inegável que as redes sociais têm um lado sombrio, que muitas vezes é alimentado por nossos próprios vieses cognitivos.
Em seu livro “The Social Dilemma”, a autora e psicóloga Sherry Turkle explora como as redes sociais podem ser insufladas por nossos vieses cognitivos, alimentando crenças ilusórias, falsas curas, discursos de ódio e caos mental. Ela argumenta que, ao passo que as redes sociais nos conectam, elas também podem nos dividir e nos levar a uma espiral descendente de pensamentos e comportamentos negativos.
Um dos principais vieses cognitivos que alimentam essa espiral é o viés de confirmação. Isso significa que tendemos a buscar informações que confirmem nossas crenças e ignorar aquelas que as contradizem. Nas redes sociais, isso se manifesta na forma de algoritmos que nos mostram conteúdos semelhantes ao que já consumimos, criando uma bolha de informações que reforçam nossas crenças e nos impedem de ver diferentes perspectivas.
Esse viés de confirmação é particularmente perigoso quando se trata de informações falsas e teorias da conspiração. Com a disseminação rápida e fácil de informações nas redes sociais, muitas vezes não verificamos a veracidade das informações que recebemos e acabamos acreditando em teorias infundadas. Isso pode levar a crenças ilusórias e até mesmo perigosas, como a negação da ciência e da medicina.
Além disso, os vieses cognitivos também podem nos levar a acreditar em falsas curas e tratamentos milagrosos. Com a facilidade de acesso a informações na internet, muitas pessoas buscam soluções rápidas e fáceis para seus problemas de saúde mental e física. No entanto, muitas dessas “curas” não têm base científica e podem até mesmo ser prejudiciais à saúde.
Outro aspecto preocupante é como os vieses cognitivos podem alimentar discursos de ódio nas redes sociais. Com a polarização política e ideológica cada vez mais presente, é comum vermos pessoas atacando e difamando aqueles que têm opiniões diferentes das suas. Isso é alimentado pelo viés de grupo, que nos leva a acreditar que nosso grupo é superior e que aqueles que pensam diferente são inimigos.
O resultado de tudo isso é um caos mental coletivo. As redes sociais se tornaram um campo de batalha onde nossos vieses cognitivos se encontram e se alimentam, criando uma atmosfera tóxica e prejudicial para nossa saúde mental. Muitas pessoas relatam ansiedade, depressão e até mesmo pensamentos suicidas causados pelo uso excessivo das redes sociais e pela exposição constante a conteúdos negativos.
Então, o que podemos fazer para combater esses vieses cognitivos e evitar que eles alimentem crenças ilusórias, discursos de ódio e caos mental? A resposta é a conscientização e a educação. Precisamos estar cientes de nossos próprios vieses e aprender a reconhecê-los e questioná-los. Além disso, é importante ensinar às crianças e jovens a importância de verificar a veracidade das informações e a respeitar opiniões diferentes.
Também é responsabilidade das plataformas de redes sociais combater esses vieses e promover um ambiente mais saudável para seus usuários
