O filme “Cisjordânia ocupada”, dirigido pelo premiado cineasta palestino, Emad Burnat, foi recentemente premiado com o Óscar de melhor documentário. O filme aborda a ocupação da Cisjordânia por Israel e abrange cinco anos de filmagens (2019-2023) na região de Masafer Yatta, mostrando as demolições recorrentes de habitações, escolas, poços de água e estradas pelo exército de Telavive.
O filme é uma poderosa narrativa sobre a realidade vivida pelos palestinos na Cisjordânia, que muitas vezes é ignorada pela mídia internacional. Emad Burnat, que também é um dos protagonistas do filme, utiliza sua câmera para mostrar de forma crua e impactante os efeitos da ocupação israelense na vida das pessoas que habitam a região.
Masafer Yatta é uma área rural localizada no sul da Cisjordânia, onde vivem cerca de 1.300 palestinos em pequenas comunidades. Desde a ocupação israelense em 1967, essas comunidades têm sido alvo constante de demolições por parte do exército de Telavive, que alega que as construções são ilegais por estarem em uma “zona militar fechada”. No entanto, os palestinos afirmam que as demolições são uma estratégia para expulsá-los de suas terras e expandir os assentamentos israelenses na região.
O filme mostra a luta diária dos moradores de Masafer Yatta para sobreviverem em meio às demolições e a constante ameaça de perderem suas casas e meios de subsistência. Além disso, também aborda a falta de acesso à água potável, já que os poços são frequentemente destruídos pelo exército israelense, e a dificuldade de acesso à educação, devido às demolições de escolas.
Emad Burnat, que é agricultor e cineasta amador, começou a registrar a vida em Masafer Yatta em 2005, quando seu quarto filho nasceu. Ele queria documentar o crescimento de sua família e a vida na aldeia. No entanto, com o passar dos anos, suas filmagens se tornaram um registro importante da resistência palestina e da luta contra a ocupação israelense.
O filme foi produzido em parceria com o cineasta israelense, Guy Davidi, que se juntou a Burnat em 2009 e o ajudou a transformar as filmagens em um documentário. Juntos, eles conseguiram capturar momentos emocionantes e impactantes, como a prisão de Emad por soldados israelenses, a morte de um amigo próximo e a resistência pacífica dos moradores de Masafer Yatta.
Ao receber o Óscar de melhor documentário, Emad Burnat fez um discurso emocionante sobre a importância de contar a história dos palestinos e agradecendo a todos que o ajudaram a realizar o filme. Ele afirmou que seu objetivo era dar voz aos palestinos e mostrar ao mundo a realidade da ocupação israelense.
O filme “Cisjordânia ocupada” é uma importante ferramenta de conscientização sobre a situação vivida pelos palestinos na Cisjordânia e mostra a resistência e a resiliência do povo palestino em meio à opressão. Além disso, é um exemplo de como o cinema pode ser utilizado como uma forma de resistência e de luta por justiça social.
Esperamos que esse reconhecimento do Óscar ajude a ampliar o alcance do filme e a trazer mais atenção para a questão da ocupação israelense na Cisjordânia. É importante que o mundo conheça a realidade vivida pelos palestinos e apoie a l
