A recente decisão tomada pelo Canadá, Estados Unidos e México em relação ao acordo de livre comércio CUSMA (Canadá-Estados Unidos-México) tem sido bem recebida pelos países vizinhos, mas causou certa controvérsia ao deixar de fora grande parte dos produtos canadenses e mexicanos.
O CUSMA, que entrou em vigor no dia 1º de julho de 2020, é um acordo comercial que substitui o antigo Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA). O objetivo é facilitar o comércio entre os três países, eliminando barreiras e tarifas em diversos setores.
Porém, durante as negociações do acordo, o Canadá e o México ficaram insatisfeitos com as exigências feitas pelos Estados Unidos. Entre elas, o presidente americano Donald Trump pressionou por um aumento da participação de produtos americanos no mercado canadense e mexicano.
Diante dessa pressão, o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau cedeu e aceitou a imposição de uma “lista positiva” de produtos, o que significa que apenas os produtos incluídos nessa lista estariam isentos de tarifas no âmbito do CUSMA.
Essa decisão causou preocupação em alguns setores da economia canadense e mexicana, uma vez que cerca de 62% dos produtos canadianos e metade dos produtos mexicanos não se enquadram nessa lista positiva. Entre eles, estão produtos agrícolas, como laticínios e frutas, além de veículos e peças automotivas.
Porém, a decisão também tem sido vista como um avanço nas relações comerciais entre os três países, principalmente em meio à atual crise econômica mundial causada pela pandemia de COVID-19.
Para os produtores e exportadores de produtos incluídos na lista positiva, a decisão representa um alívio e uma oportunidade de aumentar os negócios e expandir o mercado.
O ministro do Comércio Internacional do Canadá, Mary Ng, ressaltou que o CUSMA tem como objetivo modernizar o comércio entre os três países e que isso só é possível através de um acordo equilibrado e justo para todas as partes.
Ela também destacou que o acordo traz diversos benefícios para o Canadá, como a proteção dos trabalhadores, o fortalecimento dos direitos dos povos indígenas e a garantia de um comércio livre e justo.
Além disso, o CUSMA também inclui capítulos sobre propriedade intelectual, meio ambiente e recorrência de disputas comerciais, o que mostra um compromisso dos três países em garantir um comércio responsável e sustentável.
Apesar dos receios iniciais, a decisão do Canadá de aceitar a “lista positiva” de produtos tem sido elogiada pelos próprios vizinhos norte-americanos e mexicanos. O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou que o acordo representa um “triunfo da racionalidade e do diálogo” e garante um “futuro otimista para a América do Norte”.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, também elogiou a decisão e disse que ela garantirá justiça e igualdade para os trabalhadores dos três países.
Por fim, é possível concluir que, apesar de deixar de fora grande parte dos produtos canadenses e mexicanos, a decisão tomada pelo Canadá em relação ao acordo CUSMA foi importante para garantir um acordo equilibrado e justo entre os três países. Além disso, o acordo representa uma oportunidade de fortalecer as relações comerciais e econômicas entre eles e contribuir para a recuperação da economia em meio a um cenário desafiador.
