Em meio a um cenário de incertezas e preocupações, um novo surto na Ásia tem chamado a atenção da comunidade médica e da população em geral. Trata-se de um patógeno ainda pouco conhecido, mas que já causou estragos em países como a China e a Coreia do Sul. Para entender melhor sobre essa ameaça, a médica infectologista e patologista Dra. Ana Maria Silva concedeu uma entrevista exclusiva para a VEJA, onde explica quem é o patógeno por trás desse surto e quais cuidados devemos tomar.
De acordo com a Dra. Ana Maria, o patógeno em questão é um novo tipo de coronavírus, denominado 2019-nCoV. Ele foi identificado pela primeira vez em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, na China, e desde então tem se espalhado rapidamente por outros países da Ásia e até mesmo para outras partes do mundo. “Os coronavírus são uma família de vírus que podem causar desde um resfriado comum até doenças mais graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS)”, explica a médica.
Segundo a Dra. Ana Maria, o 2019-nCoV é um vírus de RNA, ou seja, possui material genético em forma de ácido ribonucleico. Ele é transmitido principalmente por meio de gotículas respiratórias, que são liberadas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra. “Também é possível a transmissão por contato com superfícies contaminadas e, posteriormente, levando as mãos aos olhos, nariz ou boca”, alerta a médica.
O surto do 2019-nCoV tem gerado preocupação por sua rápida disseminação e pelo fato de ainda não haver um tratamento específico ou uma vacina disponível. No entanto, a Dra. Ana Maria ressalta que a maioria dos casos apresenta sintomas leves, semelhantes aos de um resfriado comum, como febre, tosse e dificuldade para respirar. “Apenas uma pequena parcela dos pacientes desenvolve complicações mais graves, como pneumonia e insuficiência respiratória”, esclarece a médica.
Para prevenir a infecção pelo 2019-nCoV, a Dra. Ana Maria recomenda medidas simples, mas eficazes, como lavar as mãos com frequência, evitar tocar o rosto com as mãos não lavadas, cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar e evitar contato próximo com pessoas que apresentem sintomas respiratórios. “Além disso, é importante manter uma boa higiene pessoal e evitar locais com aglomeração de pessoas”, acrescenta a médica.
Diante do surto, muitas pessoas têm se questionado sobre a necessidade de usar máscaras de proteção. A Dra. Ana Maria esclarece que, para a população em geral, o uso de máscaras não é necessário, a menos que a pessoa apresente sintomas respiratórios ou tenha tido contato próximo com alguém infectado. “O uso indiscriminado de máscaras pode até mesmo gerar uma falsa sensação de segurança e levar a uma escassez do produto para quem realmente precisa”, alerta a médica.
Ainda não se sabe ao certo a origem do 2019-nCoV, mas acredita-se que ele tenha sido transmitido de animais para humanos em um mercado de frutos do mar em Wuhan. No entanto, a Dra. Ana Maria ressalta que não há evidências de que o vírus seja transmitido de pessoa para pessoa antes do surgimento dos sintomas. “Por isso, é importante manter a calma e não propagar informações falsas ou alarmistas”, enfatiza a médica.
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