Associações que representam instituições privadas de ensino superior manifestaram preocupação e crítica em relação à divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) nesta segunda-feira (19). A avaliação, que teve como objetivo medir o desempenho dos cursos de medicina em todo o país, gerou controvérsias e levantou questionamentos sobre a sua condução e a aplicação imediata de medidas punitivas às instituições de ensino.
A Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) divulgou uma nota em que expressa sua preocupação com os resultados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Segundo a associação, análises realizadas por instituições espalhadas pelo Brasil apontam divergências entre os dados reportados ao sistema em dezembro do ano passado e os números divulgados agora, especialmente em relação ao total de estudantes considerados proficientes nos cursos.
Diante dessa situação, a Anup informou que aguarda esclarecimentos técnicos do MEC e do Inep antes de se manifestar de forma conclusiva sobre os resultados apresentados. A associação também ressalta que é importante que haja transparência e segurança jurídica em todo o processo de avaliação, para garantir a credibilidade do exame e evitar possíveis questionamentos e judicializações.
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) também se posicionou sobre o Enamed, em nota divulgada à imprensa. A entidade criticou a condução adotada pelo MEC e pelo Inep em relação à avaliação, especialmente após o anúncio de aplicação imediata dos resultados para fins punitivos às instituições de ensino. Segundo a Abmes, a primeira edição do exame, realizada em outubro de 2025, ocorreu antes da divulgação pública de critérios como parâmetros de desempenho, cortes de proficiência e consequências associadas aos resultados.
A associação também é contrária à atribuição de efeitos punitivos já na edição inaugural do Enamed. Entre as medidas cautelares anunciadas, estão a restrição de vagas e o impedimento de novos ingressos. Para a Abmes, essa condução, sem período de transição ou validação progressiva, compromete a credibilidade do exame, expõe instituições e estudantes a um cenário de instabilidade regulatória e pode gerar insegurança jurídica e judicialização.
Diante desse cenário, a Abmes defende que os resultados do Enamed 2025 sejam tratados como um diagnóstico inicial, voltado ao aperfeiçoamento das próximas edições, com a suspensão imediata dos efeitos punitivos anunciados. A associação também ressalta que é importante que haja um diálogo entre as instituições de ensino, o MEC e o Inep para que sejam estabelecidos critérios claros e transparentes para futuras avaliações.
O ministro da Educação, Camilo Santana, também se pronunciou sobre a repercussão dos resultados do Enamed durante um evento no Palácio do Planalto. Ele afirmou que as medidas cautelares serão aplicadas de forma gradual e que o objetivo não é prejudicar ninguém, mas sim garantir que as faculdades reflitam sobre a qualidade de sua infraestrutura, monitoria e laboratórios para formar bons profissionais no país.
A avaliação do Enamed mostrou que a maioria dos cursos de medicina teve um bom desempenho, com 243 cursos alcançando uma pontuação que garantiu a proficiência de pelo menos 60% dos estudantes concluintes. No entanto, 107 cursos foram mal avaliados e um
