Faleceu na noite desta quarta-feira (16), aos 78 anos, o professor e ativista Luiz Roberto Alves, um dos principais nomes da educação pública, alfabetização e ensino de comunicação no país. Sua trajetória foi marcada pelo engajamento político e acadêmico, deixando um legado de luta pelos direitos humanos e pela educação de qualidade.
Nascido em janeiro de 1947 em Murutinga do Sul (SP), Alves dedicou sua vida à educação e à militância. Formado em Letras, iniciou sua carreira como professor em escolas públicas de Mauá, São Bernardo do Campo e Diadema, onde também atuou como diretor por mais de 20 anos. Sua atuação na educação pública rendeu perseguições durante a ditadura militar, o que o levou a se exilar em Israel, onde realizou pesquisas em universidades locais.
Após seu retorno ao Brasil, Alves se envolveu na fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, e continuou sua atuação na região do ABC Paulista. Lecionou nos cursos de jornalismo, rádio e TV e publicidade na Universidade Metodista, onde desenvolveu pesquisas de relevância internacional e se destacou como um dos acadêmicos mais produtivos e criteriosos.
Em 1988, sua docência se expandiu para a Universidade de São Paulo, onde atuou na Escola de Comunicações e Artes (ECA) e no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB). Além de sua carreira acadêmica, Alves teve uma forte atuação política, sendo presidente da Câmara de Educação Básica e vice-presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) entre 2012 e 2016. Também foi secretário de educação, cultura e esportes nas cidades de São Bernardo do Campo (1989-1992) e Mauá (2001-2003).
No campo social, Alves foi um dos idealizadores do Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA), na década de 90, juntamente com o educador Paulo Freire, envolvendo sindicatos e entidades da sociedade civil. Também esteve envolvido na criação do Projeto Meninos e Meninas de Rua de São Bernardo do Campo, que atuou no enfrentamento aos grupos de extermínio de jovens na região do ABC.
Além de sua dedicação à educação e à militância política, Alves também era um pai amoroso e dedicado. Deixa três filhos do primeiro casamento, Daniel e José Celso de Castro Alves, e Ana Sara Linder Alves, e um neto, Gael, filho de seu filho mais velho, o advogado e ativista dos direitos humanos, Ariel de Castro Alves. Sua atual esposa, a também professora Sabine Linder, também o acompanhou em sua trajetória e deixou uma mensagem emocionante em suas redes sociais: “Meu amor, você se foi, mas deixou em mim uma chama que continuará acesa para sempre”.
O legado de Luiz Roberto Alves é marcado pela luta incansável pelos direitos humanos e pela educação. Sua atuação na educação pública e na defesa dos mais vulneráveis é um exemplo a ser seguido por todos. Seu comprometimento e dedicação deixam um vazio no mundo acadêmico e político, mas suas ideias e ações continuarão a inspirar gerações futuras. Que sua memória seja sempre lembrada e sua luta nunca seja esquecida. Descanse em paz, professor Luiz Roberto Alves.
