Caso de rapaz atacado por leoa revela que o Brasil desmontou hospitais psiquiátricos, mas não construiu um sistema sólido de assistência à saúde mental
No último mês, um caso chocante ganhou as manchetes dos jornais brasileiros. Um jovem de 24 anos foi atacado por uma leoa em um zoológico de Cascavel, no Paraná. O rapaz, que sofria de transtornos mentais, invadiu o recinto dos animais e acabou sendo atacado pela leoa. O incidente levantou uma discussão importante sobre a falta de assistência à saúde mental no Brasil.
Nos últimos anos, o país tem passado por um processo de desmonte dos hospitais psiquiátricos, que eram considerados locais de tortura e violação dos direitos humanos. No entanto, o que não foi feito foi a construção de um sistema sólido de assistência à saúde mental, deixando milhares de pessoas sem o devido tratamento e cuidado.
O fechamento dos hospitais psiquiátricos foi uma medida necessária, mas que não foi acompanhada de políticas públicas efetivas para garantir o tratamento adequado às pessoas com transtornos mentais. O resultado disso é um sistema de saúde mental precário, com poucos profissionais capacitados e falta de estrutura para atender a demanda.
Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 23 milhões de brasileiros sofrem com algum tipo de transtorno mental, como depressão, ansiedade, esquizofrenia, entre outros. No entanto, apenas 20% dessas pessoas recebem tratamento adequado. Isso significa que a maioria fica sem o devido acompanhamento e cuidado, o que pode levar a consequências graves, como o caso do rapaz atacado pela leoa.
Além disso, a falta de investimento em saúde mental também tem impactos econômicos. Estudos mostram que a depressão, por exemplo, é a principal causa de afastamento do trabalho no Brasil, gerando um prejuízo de bilhões de reais por ano. Ou seja, além de ser uma questão de saúde pública, a falta de assistência à saúde mental também tem um impacto significativo na economia do país.
É preciso que o governo e a sociedade como um todo entendam a importância de se investir em saúde mental. Isso inclui a criação de políticas públicas efetivas, a ampliação do número de profissionais capacitados e a construção de uma rede de atendimento que abranja desde o diagnóstico até o tratamento e acompanhamento dos pacientes.
Além disso, é fundamental combater o estigma e a discriminação em relação às pessoas com transtornos mentais. Muitas vezes, essas pessoas são vistas como “loucas” ou “perigosas”, o que só aumenta o preconceito e dificulta o acesso ao tratamento. É preciso promover uma cultura de acolhimento e empatia, para que essas pessoas se sintam à vontade para buscar ajuda e receber o tratamento necessário.
Outro ponto importante é a valorização da saúde mental como parte integrante da saúde como um todo. Muitas vezes, a saúde mental é negligenciada e vista como menos importante do que a saúde física. No entanto, ambas estão interligadas e devem ser tratadas de forma igualitária. É preciso que as políticas públicas e os serviços de saúde reconheçam a importância da saúde mental e a incluam em suas ações e programas.
É inegável que o Brasil avançou no que diz respeito à desinstitucionalização dos hospitais psiquiátricos. No entanto, é preciso ir além e construir um sistema sólido de assistência à saúde mental, que garanta o tratamento adequado e humanizado às pessoas com
