A raiva é uma emoção intensa e muitas vezes considerada negativa. Desde cedo, somos ensinados a controlar e reprimir essa emoção, pois acreditamos que liberá-la pode causar danos e conflitos. No entanto, há uma ideia amplamente difundida de que liberar a raiva é sempre saudável e necessário para o nosso bem-estar emocional. Mas será que essa é realmente a melhor forma de lidar com essa emoção?
Um artigo publicado recentemente na revista Psychology Today questiona essa ideia e aponta para um mecanismo menos intuitivo, mas eficaz, para lidar com a raiva. Segundo o autor, o psicólogo e professor de Harvard, Dr. Steven Stosny, liberar a raiva pode até aliviar temporariamente a tensão, mas não é uma solução a longo prazo para lidar com essa emoção.
O Dr. Stosny explica que a raiva é uma resposta natural a situações que consideramos injustas, ameaçadoras ou frustrantes. No entanto, quando nos permitimos expressá-la de forma agressiva ou explosiva, estamos apenas alimentando essa emoção e criando um ciclo vicioso. Isso porque, ao liberar a raiva, estamos reforçando a ideia de que ela é justificada e necessária, o que pode levar a um aumento da frequência e intensidade desses episódios.
Além disso, a raiva pode ser prejudicial não apenas para nós mesmos, mas também para aqueles ao nosso redor. Quando nos permitimos expressá-la de forma agressiva, podemos magoar e afastar as pessoas que amamos, além de criar um clima de hostilidade e conflito em nossos relacionamentos.
Mas então, qual seria a melhor forma de lidar com a raiva? O Dr. Stosny sugere um mecanismo menos intuitivo, mas comprovadamente eficaz: a compaixão. Segundo ele, a compaixão é a emoção oposta à raiva e pode ser cultivada através de práticas como a meditação e o mindfulness.
Ao invés de liberar a raiva, o Dr. Stosny propõe que nos permitamos sentir a emoção, mas sem alimentá-la. Em vez de focar no que nos irrita, podemos tentar entender a perspectiva do outro e encontrar empatia por ele. Isso não significa aceitar ou concordar com o que nos causou a raiva, mas sim reconhecer que todos nós temos nossas próprias lutas e que a raiva não é a única forma de lidar com elas.
Além disso, a compaixão também pode nos ajudar a encontrar soluções mais construtivas para os problemas que nos causam raiva. Ao invés de reagir impulsivamente, podemos pensar em formas de resolver a situação de forma pacífica e respeitosa.
É importante ressaltar que a compaixão não é uma forma de reprimir ou negar a raiva, mas sim de lidar com ela de forma mais saudável e positiva. A raiva é uma emoção legítima e não devemos nos envergonhar por senti-la. No entanto, é preciso aprender a lidar com ela de forma construtiva, para que não se torne um obstáculo em nossas vidas.
Portanto, ao invés de liberar a raiva, podemos nos permitir sentir e expressar a compaixão. Isso não só nos ajuda a lidar com a raiva de forma mais saudável, como também pode trazer benefícios para nossa saúde mental e nossos relacionamentos. Afinal, como disse o Dalai Lama, “se você quer que os outros sejam felizes, pratique a compaixão. Se você quer ser feliz, pratique a compaixão”.
Em resumo, liberar a raiva pode até parecer uma solução rápida e eficaz, mas não é
