A conclusão do ensino médio é uma etapa importante na vida de qualquer pessoa. Além de ser um requisito básico para ingressar em uma faculdade ou no mercado de trabalho, é também um momento de amadurecimento e de preparação para o futuro. No entanto, um estudo recente divulgado pela Central Única das Favelas (Cufa) revelou que somente dois em cada dez jovens envolvidos com o tráfico de drogas conseguem concluir essa etapa da educação.
A pesquisa Raio-X da Vida Real, realizada pelo Instituto Data Favela, entrevistou quase 4 mil pessoas envolvidas com o tráfico de drogas em favelas de 23 estados brasileiros. O resultado apontou uma baixa escolaridade entre esses jovens, sendo que mais da metade não chega a concluir o ensino médio. Esse dado é preocupante e nos faz refletir sobre as causas desse cenário.
Um dos fatores que contribuem para essa realidade é a falta de acesso à educação de qualidade nas comunidades carentes. Muitas vezes, esses jovens não têm escolas próximas de suas casas ou não possuem condições financeiras para pagar por uma educação particular. Além disso, a violência e a falta de investimentos do poder público nessas regiões também dificultam o acesso à educação.
Outro fator que influencia na baixa escolaridade entre os jovens envolvidos com o tráfico de drogas é a ausência de programas de incentivo à educação e de oportunidades de emprego. Muitos desses jovens acabam se envolvendo com o crime por falta de perspectiva de um futuro melhor. Sem alternativas de estudo e trabalho, o tráfico de drogas se torna uma opção para conseguir ganhar dinheiro e sustentar a si mesmos e suas famílias.
Porém, o estudo também apontou que a maioria desses jovens reconhece a importância da educação e acredita que ela poderia ter sido um fator de mudança em suas vidas. Quando questionados sobre o que fariam de diferente se pudessem voltar ao passado, muitos responderam que teriam estudado mais e se formado. Isso mostra que, apesar das dificuldades, eles valorizam a educação e reconhecem que ela poderia ter sido uma alternativa para saírem da criminalidade.
Além disso, a pesquisa revelou que o curso de nível superior que mais interessava aos entrevistados era Direito, seguido de Administração, Medicina/Enfermagem, Engenharia/Arquitetura e Jornalismo/Publicidade. Isso demonstra que esses jovens possuem sonhos e aspirações, mas muitas vezes não têm as oportunidades necessárias para alcançá-los.
Outro dado importante da pesquisa é a relação entre a baixa escolaridade e a renda desses jovens. A falta de acesso à educação e ao mercado de trabalho de qualidade faz com que a maioria deles não consiga ganhar mais do que dois salários mínimos por mês. Isso mostra que a educação é um fator determinante para a melhoria da qualidade de vida e para a conquista de melhores oportunidades.
Além disso, a pesquisa também abordou aspectos familiares dos jovens envolvidos com o tráfico de drogas. Mais da metade deles foi criada em famílias monoparentais, sendo que a maioria é liderada por mães. Isso demonstra a importância do papel feminino nas comunidades carentes e como essas mulheres são fortes e guerreiras, mesmo enfrentando tantas dificuldades.
Outro dado interessante é que, para esses jovens, as pessoas mais importantes são a mãe, os filhos, a avó e o pai, nessa ordem. Isso mostra que, apesar das adversidades,
