A Oxitec, empresa de biotecnologia sediada no Reino Unido, está prestes a inaugurar uma nova fábrica no Brasil que promete revolucionar o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya. A instalação, localizada em Campinas, no interior de São Paulo, tem capacidade de produzir até 190 milhões de mosquitos por semana, mas ainda aguarda a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar suas operações.
A tecnologia desenvolvida pela Oxitec consiste na liberação de mosquitos machos geneticamente modificados, que ao se reproduzirem com as fêmeas selvagens, geram descendentes que não chegam à fase adulta. Isso reduz significativamente a população de mosquitos transmissores de doenças, sem a necessidade de utilizar inseticidas químicos, que podem ser prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana.
A fábrica em Campinas é a primeira da Oxitec fora do Reino Unido e foi construída em parceria com a empresa brasileira Moscamed. Com um investimento de cerca de R$ 30 milhões, a instalação possui uma área de 5.000 metros quadrados e é considerada uma das maiores do mundo em produção de mosquitos geneticamente modificados.
A tecnologia da Oxitec já foi testada e comprovada em diversos países, como Panamá, Malásia e Ilhas Cayman, onde houve uma redução de até 90% na população de mosquitos Aedes aegypti. No Brasil, os testes foram realizados em Juiz de Fora, Minas Gerais, e mostraram uma redução de 95% na população de mosquitos em apenas três meses.
Além de ser uma alternativa mais eficaz e sustentável para o controle do Aedes aegypti, a tecnologia da Oxitec também é mais econômica. Segundo a empresa, o custo para produzir um mosquito geneticamente modificado é de apenas 10 centavos de real, enquanto que o custo para produzir um mosquito selvagem é de 1 real.
A fábrica em Campinas tem capacidade para produzir até 190 milhões de mosquitos por semana, o que equivale a cerca de 10 bilhões de mosquitos por ano. Com essa produção em larga escala, a Oxitec pretende atender a demanda de todo o Brasil e até mesmo exportar seus mosquitos para outros países.
No entanto, apesar de estar pronta para iniciar suas operações, a fábrica ainda aguarda a aprovação da Anvisa para começar a produzir e liberar os mosquitos geneticamente modificados. A empresa já solicitou a autorização em 2014, mas até o momento não obteve uma resposta definitiva.
A Anvisa alega que ainda não possui dados suficientes para avaliar a segurança e eficácia da tecnologia da Oxitec. No entanto, a empresa afirma que já realizou diversos estudos e testes que comprovam a segurança e eficácia de sua tecnologia, além de ter sido aprovada por órgãos reguladores em outros países.
A demora na aprovação da Anvisa tem gerado críticas e preocupações por parte da população e de autoridades de saúde, principalmente em um momento em que o Brasil enfrenta um aumento nos casos de dengue, zika e chikungunya. A Oxitec acredita que sua tecnologia pode ser uma importante aliada no combate a essas doenças, mas precisa da autorização da Anvisa para colocá-la em prática.
Enquanto aguarda a aprovação, a fábrica em Campinas segue em funcionamento, mas apenas para fins de tre
