O Brasil é um país conhecido por sua diversidade cultural, suas belezas naturais e sua paixão pelo futebol. No entanto, há um aspecto que muitas vezes passa despercebido, mas que merece ser exaltado: a política de alimentação nas escolas. Apesar de não ser algo que costumamos nos orgulhar, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um dos melhores e maiores projetos do mundo.
Completando 70 anos de existência, o Pnae ganhou destaque a partir de 2009, quando entrou em vigor a lei que definiu os parâmetros para a alimentação escolar. Antes disso, a merenda escolar era vista apenas como um lanche rápido e sem importância. No entanto, a partir dessa mudança, a comida passou a ser considerada uma refeição completa e de extrema importância para a saúde e o aprendizado dos estudantes.
Um dos principais responsáveis pelo sucesso do Pnae é Fernando Luiz Venâncio, que há 12 anos deixou a carreira de metalúrgico para se dedicar à cozinha da Escola Johnson, em Fortaleza, no Ceará. Hoje, ele é o responsável por preparar as três refeições diárias para os mais de 400 estudantes da escola, que funciona em tempo integral. Entre os pratos servidos, destacam-se o baião de dois, a carne picadinha, a farofa de ovo e o aclamado creme de galinha, feito com peito de galinha desfiado e caldo de legumes.
Mas o cardápio não é definido apenas por Fernando. Nutricionistas são responsáveis por elaborar as refeições, que devem atender às necessidades nutricionais dos estudantes, estar conectadas à cultura local, priorizar alimentos preparados na própria escola, restringir ao máximo a presença de alimentos ultraprocessados e privilegiar produtos da agricultura familiar, com no mínimo 30% de alimentos com essa origem.
E é justamente a participação da agricultura familiar no Pnae que faz toda a diferença. Marli Oliveira, agricultora familiar de Ocara, no Ceará, fornece ovos, mel, carnes de galinha, porco e ovinos para a escola onde Fernando trabalha. Para ela, a venda garantida para as escolas faz toda a diferença na renda da família e na vida dos agricultores locais. Um levantamento do Observatório da Alimentação Escolar (OAE) mostrou que, para cada R$ 1 investido pela agricultura e pecuária familiar no Pnae, o Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresce R$ 1,52 na agricultura e R$ 1,66 na pecuária.
Com o aumento da demanda, a partir de 2026, a participação da agricultura familiar no Pnae pode chegar a pelo menos 45%. Essa alteração, aprovada pelo Congresso Nacional, pode ser sancionada pelo presidente Lula em breve. Luzia Márcia, assentada da reforma agrária e produtora de castanha de caju em Chorozinho, no Ceará, comemora a mudança e espera conseguir fornecer para o Pnae em breve. Para ela, o programa é muito importante, pois ajuda a escoar a produção e garante uma renda para os agricultores.
A importância do Pnae vai além das fronteiras brasileiras. Durante a 2ª Cúpula da Coalização Global pela Alimentação Escolar, realizada em setembro deste ano, representantes de mais de 90 países se comprometeram a garantir comida de qualidade para mais de 700 milhões de estudantes até 2030. A ministra da Educação de São Tom
