O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, recentemente fez uma declaração que chamou a atenção da União Europeia: “Não haverá orçamento europeu até recebermos o nosso dinheiro”. Essas palavras foram ditas em meio a um impasse entre a Hungria e a UE sobre o novo orçamento plurianual da União Europeia e o fundo de recuperação pós-pandemia.
A declaração de Orbán reflete a frustração de seu país em relação às negociações em andamento sobre o orçamento da UE. A Hungria, juntamente com a Polônia, tem bloqueado a aprovação do orçamento e do fundo de recuperação, alegando que a proposta atual inclui condições que violam a soberania dos países membros.
No entanto, a declaração de Orbán também pode ser vista como uma tentativa de pressionar a UE a ceder às demandas da Hungria. O país tem sido um dos principais beneficiários dos fundos da UE, recebendo cerca de 5% do seu PIB anualmente. Portanto, a ameaça de não aprovar o orçamento pode ser uma forma de garantir que a Hungria continue recebendo esses recursos.
Mas por que a Hungria está tão determinada a receber seu dinheiro? A resposta está na importância desses fundos para a economia do país. Desde sua adesão à UE em 2004, a Hungria tem se beneficiado significativamente dos investimentos e subsídios da UE, que ajudaram a impulsionar seu crescimento econômico e modernizar sua infraestrutura.
Além disso, os fundos da UE também têm sido cruciais para a recuperação da economia húngara após a crise financeira de 2008. O país recebeu um empréstimo de 20 bilhões de euros do Fundo Monetário Internacional e da UE para ajudar a estabilizar sua economia e evitar uma crise financeira. Desde então, a Hungria tem se esforçado para manter uma estabilidade econômica e financeira, e os fundos da UE têm sido um importante apoio nesse processo.
Portanto, é compreensível que Orbán e seu governo estejam preocupados com a possibilidade de perderem esses recursos. No entanto, a UE também tem suas razões para impor condições ao orçamento e ao fundo de recuperação. Uma dessas condições é o respeito ao Estado de Direito, que tem sido uma preocupação crescente em relação à Hungria nos últimos anos.
O governo de Orbán tem sido criticado por minar a independência do judiciário, a liberdade de imprensa e os direitos das minorias. Essas ações levantaram preocupações sobre o compromisso da Hungria com os valores democráticos e o Estado de Direito, que são fundamentais para a UE.
Portanto, a UE está buscando garantir que os países membros respeitem esses valores e princípios, e a inclusão de condições no orçamento e no fundo de recuperação é uma forma de fazer isso. No entanto, a Hungria e a Polônia veem essas condições como uma interferência em seus assuntos internos e uma violação de sua soberania.
O impasse entre a Hungria e a UE é um reflexo de uma divisão maior dentro da União Europeia. Enquanto alguns países, como a Alemanha e a França, defendem a inclusão de condições no orçamento e no fundo de recuperação, outros, como a Hungria e a Polônia, se opõem a elas. Essa divisão tem dificultado as negociações e colocado em risco a aprovação do orçamento e do fundo de recuperação.
No entanto, é importante lembrar que o orçamento e o fundo de recuperação são essenciais para a recup
