Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de York, no Reino Unido, identificou geneticamente qual peixe era usado na fabricação de um molho fermentado muito popular em todo o Império Romano. O molho, conhecido como garum, era um ingrediente essencial na culinária romana e era usado em uma variedade de pratos, desde sopas até molhos para saladas.
O garum era feito a partir da fermentação de peixes e vísceras em salmoura, e era altamente valorizado pelos romanos por seu sabor único e propriedades nutritivas. No entanto, até agora, os pesquisadores não tinham certeza de qual peixe era usado na produção do garum, pois os registros históricos eram vagos e contraditórios.
Para resolver esse mistério, a equipe de pesquisa utilizou técnicas de sequenciamento de DNA para analisar amostras de garum encontradas em sítios arqueológicos em toda a Europa. Eles compararam o DNA dessas amostras com o de várias espécies de peixes e descobriram que o garum era feito principalmente a partir de uma espécie de peixe chamada sardinha europeia (Sardina pilchardus).
Essa descoberta é significativa por vários motivos. Em primeiro lugar, ela confirma que a sardinha europeia era uma das principais fontes de alimento para os romanos, o que já era sugerido por registros históricos e evidências arqueológicas. Além disso, o estudo também revelou que o garum era produzido em grande escala, o que sugere que era um produto comercializado e consumido em todo o Império Romano.
Outro aspecto interessante do estudo é que ele mostrou que a produção de garum era uma atividade altamente especializada. Os pesquisadores descobriram que o garum era feito apenas com as vísceras de peixes jovens, o que sugere que os produtores tinham conhecimento sobre o ciclo de vida dos peixes e sabiam exatamente quando capturá-los para obter o melhor sabor.
Além disso, o estudo também revelou que o garum era produzido em diferentes regiões do Império Romano, o que sugere que havia uma demanda significativa por esse produto em todo o território. Isso também indica que o garum era um alimento acessível para a maioria das pessoas, não apenas para a elite romana.
O garum também tinha um papel importante na economia romana. A produção e o comércio desse molho geravam empregos e renda para muitas pessoas, desde os pescadores até os comerciantes. Além disso, o garum era um produto de exportação importante para o Império Romano, sendo comercializado com outras regiões do Mediterrâneo.
Com essa descoberta, os pesquisadores também conseguiram desvendar alguns mitos e equívocos sobre o garum. Por exemplo, muitos acreditavam que o molho era feito a partir de peixes podres, mas o estudo mostrou que isso não era verdade. A fermentação do garum era um processo controlado e cuidadosamente realizado pelos produtores, resultando em um produto final de alta qualidade.
Em resumo, o estudo realizado pela Universidade de York trouxe novas informações e esclarecimentos sobre a produção e o comércio do garum, um molho fermentado que foi um elemento essencial na culinária e economia do Império Romano. Além disso, essa descoberta também nos ajuda a entender melhor a cultura e os hábitos alimentares dos romanos, mostrando como eles valorizavam e utilizavam os recursos naturais disponíveis em seu império.
