Nos últimos anos, tem havido um aumento na conscientização e aceitação da diversidade sexual e de gênero em todo o mundo. No entanto, ainda existem práticas que tentam “curar” a orientação sexual de indivíduos que não se encaixam nos padrões heteronormativos. Essas tentativas não apenas carecem de base científica, mas também violam os direitos humanos fundamentais dessas pessoas.
A ideia de que a orientação sexual pode ser “curada” é baseada em crenças preconceituosas e discriminatórias. A homossexualidade, bissexualidade e outras orientações sexuais não são doenças ou transtornos mentais que precisam ser tratados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais em 1990, e desde então, várias organizações médicas e psicológicas ao redor do mundo têm reafirmado que a orientação sexual não é uma escolha e não pode ser alterada.
Além disso, não há evidências científicas que comprovem a eficácia dessas chamadas “terapias de conversão” ou “cura gay”. Pelo contrário, estudos mostram que essas práticas podem causar danos psicológicos e emocionais graves, como depressão, ansiedade, baixa autoestima e até mesmo pensamentos suicidas. A Associação Americana de Psicologia, por exemplo, afirma que essas terapias são ineficazes e podem ser prejudiciais aos indivíduos que as recebem.
É importante ressaltar que a orientação sexual é uma parte fundamental da identidade de uma pessoa e não pode ser mudada ou “curada”. Tentar forçar alguém a mudar sua orientação sexual é uma violação dos direitos humanos básicos, como o direito à liberdade de expressão e o direito à privacidade. Além disso, essas práticas também podem ser consideradas uma forma de tortura e tratamento cruel, desumano e degradante, de acordo com a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura.
Infelizmente, ainda existem países que permitem e até mesmo incentivam essas terapias de conversão. Em alguns casos, elas são realizadas em clínicas ou centros de “reabilitação” sem o consentimento dos indivíduos, especialmente em adolescentes e jovens LGBT+. Isso é extremamente preocupante, pois essas pessoas são vulneráveis e podem ser coagidas ou forçadas a passar por essas práticas.
Felizmente, cada vez mais países estão tomando medidas para proibir essas terapias. Em 2018, o Brasil se tornou o primeiro país da América Latina a proibir a “cura gay”, seguido por outros países como Equador, Malta e Taiwan. No entanto, ainda há muito a ser feito para acabar com essas práticas em todo o mundo.
É importante que governos, organizações e a sociedade em geral se unam para combater essas tentativas de “curar” a orientação sexual. É necessário promover a educação e a conscientização sobre a diversidade sexual e de gênero, bem como garantir que as leis e políticas protejam os direitos das pessoas LGBT+. Além disso, é fundamental oferecer apoio e acolhimento às pessoas que passaram por essas terapias e ajudá-las a se recuperar dos danos causados.
Em resumo, as tentativas de “curar” a orientação sexual não têm base em evidências científicas e são uma violação dos direitos humanos fundamentais. É preciso continuar lutando contra essas práticas e promover a aceitação e o respeito pela diversidade sexual e de gênero. Todos têm o direito de amar e ser quem são, sem serem julgados ou discriminados por isso.
