A produção de conteúdo da Netflix vem ganhando cada vez mais destaque na mídia e atraindo um público fiel pela qualidade e variedade de suas produções originais. Além de entreter, a plataforma também tem o mérito de trazer à tona importantes discussões e reflexões através de suas séries e filmes.
Um exemplo disso é a série “Eu nunca…”, que recentemente estreou sua segunda temporada e tem conquistado o coração dos espectadores com sua trama leve e divertida, mas que também aborda questões relevantes e pertinentes aos jovens adultos de hoje em dia. A produção, criada por Mindy Kaling e Lang Fisher, acompanha a vida de Devi Vishwakumar, uma adolescente de descendência indiana que mora nos Estados Unidos e enfrenta os desafios típicos dessa fase da vida.
Mas o que faz de “Eu nunca…” uma produção diferente das demais é sua protagonista. Devi, interpretada pela talentosa atriz Maitreyi Ramakrishnan, é uma adolescente comum em muitos aspectos, mas que também possui um transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e está em tratamento psicológico. Ao longo dos episódios, podemos ver como essa condição afeta sua vida e suas relações, mas também como ela lida com isso de forma autêntica e corajosa.
Além do TOC, “Eu nunca…” também aborda outro tema muito relevante na vida dos jovens hoje em dia: os perigos da internet. No mundo atual, em que a tecnologia se tornou uma parte tão essencial do nosso dia a dia, é inevitável que os adolescentes estejam expostos a diversos riscos e influências negativas na internet. A série mostra isso através do personagem de Ben Gross (Jaren Lewison), o típico “garoto popular” da escola, que ao mesmo tempo em que possui uma vida aparentemente perfeita nas redes sociais, também enfrenta grandes problemas emocionais e mentais.
“Eu nunca…” mostra com sensibilidade e humor como essas questões podem impactar a vida dos jovens e a importância de se buscar ajuda e apoio quando necessário. Além disso, a série também propõe uma reflexão sobre as pressões e expectativas impostas pela sociedade e como isso pode afetar a saúde mental dos adolescentes.
O tratamento psicológico da protagonista é mostrado de forma natural e sem tabus, o que é essencial para quebrar o estigma que ainda existe em torno desse assunto. Devi é mostrada como uma adolescente comum, que tem seus medos e inseguranças, mas que está aprendendo a lidar com eles da melhor maneira possível. Isso é extremamente importante para que os espectadores, principalmente os jovens, possam se identificar e enxergar suas próprias lutas e dificuldades de uma forma mais leve e menos solitária.
Além disso, a série também traz à tona a importância de se desenvolver uma relação saudável com a internet. Cada vez mais conectados, é essencial que os adolescentes saibam dos perigos e armadilhas presentes na rede e como se proteger delas. A produção mostra como a busca incessante por aprovação virtual pode ser prejudicial e como é importante valorizar e cultivar as relações e conexões reais e offline.
Em tempos tão conturbados e imprevisíveis, “Eu nunca…” é um verdadeiro alento. Com sua trama leve e divertida, mas ao mesmo tempo profunda e relevante, a série é um convite à reflexão sobre a saúde mental dos jovens e os desafios enfrentados nessa fase da vida. Além disso, a produção também é um lembrete de que é fundamental buscar ajuda e apoio quando necessário e de que a amizade e o afeto verdadeiros são essenciais para se manter saudável e feliz.
Dessa forma, “Eu nunca…”
